fevereiro 08, 2007

Ainda o Bolo de Azeite...

Fiz finalmente o meu bolo de azeite. Foi um sucesso! Muito graças à colaboração que aqui obtive. Agrada-me saber que os bons garfos continuam a perservar a memória das coisas boas da nossa gastronomia, e espero que esta pequena discussão faça com que, assim como nós temos ainda a memória das receitas das nossas avós, também os nossos netos se venham a lembrar das nossas...

A história do bolito já foi toda contada pelo Avental, que para além de nos preparar deliciosas iguarias, tem esse dom de saber contar, como outros bloggers cujos links se encontram aí ao lado ou nos meus favoritos, e que tanto gosto de ler.

Todas as receitas que me deram foram ciosamente guardadas e vão ser postas em prática, ainda que leve algum tempo!

Aí o têm:


Ficou grande e fofinho. O processo de preparação foi semelhante ao usado pelo Avental.

Na ausência de quantidades exactas, servi-me da minha experiência com outros bolos lêvedos e procedi assim:

Primeiro diluí o fermento de padeiro (umas 30 g) numa chávena almoçadeira de água morna. Juntei à mistura umas 3 colheres de sopa de farinha e deixei levedar a mistura.

Numa tigela funda coloquei 4 ovos inteiros e 1 gema, ligeiramente batidos. Os ovos eram caseiros, e estavam à temperatura ambiente. Juntei 1 dl de azeite virgem e a mistura de fermento, em plena actividade. Fui juntando farinha e amassando; juntei 1 colher de sobremesa de sal fino, e quando a massa atingiu a consistência de massa de pão sovei-a até sentir que tinha adquirido corpo e se descolava das mãos. Ao todo terei usado á volta de 600g de farinha.

Nessa altura formei com ela uma bola, cobri-a com um pano e deixei levedar para o dobro.

Depois, dei-lhe uma amassadela ligeira, só para tirar o ar, estendi-a em círculo e dobrei-a ao meio, para dar ao bolo o formato típico. Ao sair do forno estava assim:



Tal como aconteceu com o Avental, o bolo saiu muito mais encorpado do que aqueles que compramos na padaria, já que juntam melhorantes à farinha que fazem com que o miolo dos pães se assemelhe às vezes a algodão doce...

Estava excelente, só têm que fazer um para o comprovar!

Tirei esta foto para terem uma ideia da consistência do miolo:

fevereiro 05, 2007

Broas de Canela da Avó

Este está quase a tornar-se um blog de receitas de pastelaria e guloseimas... Não há dúvida que é dessa parte que mais gosto na cozinha, peço desculpa a quem estiver de dieta!

Por outro lado tenho tido menos tempo para me dedicar ao blog, mas sempre que posso vou visitar os vossos, e procuro não perder as novidades. Há por cá muitos "bloggers" bem simpáticos, e peço desculpa por nem sempre responder aos comentários que por cá deixam, mas podem ter a certeza que todos são lidos e apreciados, e quando leitor é novo vou logo espreitar a página correspondente...

Tenho uma imensa lista de receitas para testar, entre as quais o famigerado bolo de azeite de que por aqui falámos...

Entretanto às vezes deparo-me com estas receitas antigas e fora de moda, e quando são assim rápidas de preparar, quase nunca resisto.



Para fazer estas aromáticas broinhas usei:

1 kg de farinha
1/2 kg de açucar amarelo
2,5 dl de azeite morno
1 colher de chá de bicarbonato
1 pitada de sal
4 ovos
1 colher de chá de erva-doce
1 colher de sobremesa de canela

E as boas notícias? Misturar muito bem todos os ingredientes e moldar as broas com o feitio que se desejar, se quiserem polvilhem com açucar; levar a cozer em forno moderado até ficarem lourinhas.
É só!
Entretanto preparem um bom cafézinho para acompanhar e, logo que saiam do forno vão ver como a vida é bela!

janeiro 26, 2007

Torta de Laranja e Côco

Enquanto não arregaço as mangas para amassar o bolo de azeite ( coisa que me vai dar muito prazer mas exige disponibilidade) vou mostrar a minha torta de laranja.
A receita foi um dia rabiscada pelo meu pai, à pressa, enquanto o chefe Silva a apresentava na televisão, por isso muitos a devem já conhecer. Mas pelo sim pelo não... Cá vai.



8 ovos
1 chávena e meia de açucar (refiro-me a 1 chávena de chá)
1 colher de sopa rasa de maizena
60 gr de manteiga derretida
50 gr de côco
raspa e sumo de 1 laranja
1 pitada de sal

Numa tigela misturam-se primeiro todos os ingredientes secos (isto evita que se formem grumos posteriormente). Depois juntam-se os ovos, inteiros, e a manteiga derretida, apenas morna.
Mistura-se tudo muito bem , com uma colher de pau ou com a vara de arames manual, por forma a misturar apenas os elementos, não se trata de bater nada bem batido, acho que o sucesso da torta depende mesmo desta mistura "imperfeita"...

Verte-se num tabuleiro untado com manteiga, forrado com papel vegetal que se volta a untar. É importante que esta operação se faça correctamente, senão a torta não sai.
Levar a forno bem quente e não deixar secar demasiado; a consistência certa assemelha-se a pudim...

Depois de cozida desenforma-se sobre um pano polvilhado com açucar e, com a ajuda dele, enrola-se com cuidado.

Desde que a fizemos a primeira vez, adoptámo-la para sempre.Experimentem e digam qualquer coisa!

janeiro 22, 2007

Bolo de Azeite



Este bolo de azeite é na realidade uma espécie de folar, e não é doce. O miolo é fofinho e muito leve.

Típico da Páscoa e dos Santos por estas bandas, actualmente é possível encontrá-lo à venda durante todo o ano. É delicioso com manteiga, marmelada e geleia de marmelo.

Apesar de todos os meus esforços não consigo encontrar a receita... Será que algum dos meus leitores a tem?...

janeiro 16, 2007

Profiteroles

Profiteroles, choux, éclairs, duchesses ... são todos feitos com o mesmo tipo de massa.

Quando se trata de bolinhos pequenos, como estes, o que requer mais paciência não é preparar a massa, é cozê-los, porque a massa rende muito, e depois de cozidos devem arrefecer dentro do forno com a porta entreaberta.

Quando ela me falta, preparo um enorme "paris-brest", e assim coze toda de uma só vez!


Levam-se ao lume:

1,5 dl de água


1 pitada de sal


75 g de manteiga


1 casca de limão

Quando a mistura levantar fervura, juntam-se de uma só vez 75 g de farinha e mexe-se com uma colher de pau até se formar uma bola.

Retira-se o tacho do lume e juntam-se 3 ovos, de um a um, batendo muito bem a massa, até o ovo ser completamente absorvido. A massa fica brilhante.


O truque que uso para verificar se está no ponto é tocá-la com o dedo; se formar um pico seguro, a quantidade de ovos é a necessária. Se pelo contrário não se formar, bato mais um ovo e adiciono aos poucos, até conseguir a consistência certa. Isto porque o tamanho dos ovos é sempre relativo. Bater o último ovo à parte permite que se adicione só a quantidade necessária, que pode não ser o ovo inteiro...


Para as profiteroles basta deitar pequenas colheradas de massa no tabuleiro bem untado e polvilhado de farinha, como na imagem; se fizerem éclairs ou outros, convém deitar a massa num saco de pasteleiro com boquilha e desenhar com ele os bolinhos no tabuleiro.



Devem espaçar-se bem, porque crescem muito, e cozê-los em forno moderado (190ºC) até se apresentarem lourinhos. Não abrir a porta do forno durante a cozedura, que leva cerca de 20 minutos.

Depois de cozidos abrem-se com uma tesoura e recheiam-se com creme à escolha.

Recheei as profiteroles com creme chantilly e cobri com chocolate de leite derretido.

Também cobri algumas com chocolate branco, por ser o preferido de uma das minhas meninas...






















janeiro 11, 2007

Trutas recheadas, com presunto



Poço do Inferno, Manteigas

Quando damos um passeio por Manteigas, aproveitamos quase sempre para comprar trutas no viveiro.

Assim temos a certeza que são frescas, tão frescas que, se ao chegarmos a casa as lançassemos ao tanque do quintal muitas ressuscitariam!...

Mas não é esse o destino que lhes reservamos, e acabam quase sempre preparadas pelo processo que abaixo descrevo, tadinhas...

Trutas consoante o número de convivas, com cerca de 250g cada;

número de fatias de presunto a condizer;

raminhos de salsa;

pimento vermelho

umas boas colheres de queijo parmesão

vinagre, azeite e sal

Numa tigela mistura-se o queijo com o pimento esmigalhado, a salsa picadinha e um pouco de vinagre.

Introduz-se um pouco deste preparado na barriguita de cada truta, depois de devidamente limpa e amanhada, e temperada de sal, claro.

Envolvem-se os peixinhos nas fatias de presunto e fritam-se em azeite, cobertos com uma tampa, em lume fraco.

janeiro 06, 2007

Tantas Gulodices...


Picado de Abelha

Gostamos muito desta tarte de amêndoa, cá em casa.

Querem experimentar?
Para a massa:
100 g de manteiga ou margarina
100 g de açucar
2 ovos
3 colheres de sopa de leite
150 g de farinha
1 colher de chá de fermento em pó.
Para a cobertura:
100 g de açucar
100 g de manteiga ou margarina
3 colheres de sopa de leite
100 g de amêndoas em palitos, lascadas ou simplesmente partidas
Bate-se a manteiga com o açucar, em creme. Juntam-se os ovos, um a um e por fim a farinha peneirada com o fermento, e o leite. Bater bem a massa e verter numa tarteira bem untada (a massa é espessa, será necessário alisá-la com uma espátula).
Para a cobertura, levar as amêndoas a tostar ligeiramente no forno bem quente. Misturá-las com os restantes ingredientes e levar ao lume durante 7 minutos.
Deitar por cima da massa, na forma, e levar ao forno, regulado nos 200ºC. Retirar quando lourinha.
Esta tarte, ainda morna, faz as minhas delícias! :)


janeiro 03, 2007

O bolo de Ananás

Foi feito com:

200g de farinha
200 g de açucar
150 g de manteiga amolecida
5 ovos inteiros
2 colheres de café de fermento em pó
1 lata de 0,5l de ananás em calda
1 pitada de sal

2 pacotes de natas para bater
açucar em pó a gosto
2 folhas de gelatina branca demolhada

O processo de confecção deste bolo é um pouco diferente do habitual: começamos por peneirar a farinha com o femento, juntamos o açucar e a manteiga amolecida. batem-se os ovos inteiros com 1 pitada de sal e envolvem-se bem na mistura anterior, até a massa se apresentar homogénea.

Coze-se numa forma redonda sem buraco, bem untada com manteiga e polvilhada com farinha.

Entretanto levamos ao lume a calda do ananás com um pouco mais de açucar e deixamos reduzir até obter um xarope.

Depois de cozido e frio, abre-se o bolo ao meio e rega-se com a calda de ananás. Recheia-se com chantilly e pedacinhos de anás e reconstitui-se. Cobre-se com o creme restante e leva-se ao frio até à hora de servir. Eu polvilhei-o com um pouco de drageia colorida, para um ar mais festivo.

Nota: Costumo juntar ao chantilly uma ou duas folhas de gelatina dissolvidas numa colher de sopa de água a ferver, para manter a consistência.

janeiro 02, 2007

FELIZ 2007!


Com muita saúde e alegria!

Receita do bolo em breve...

dezembro 29, 2006

Pastéis de Molho


Tipicamente covilhanenses, estes pastéis, acompanhados com o respectivo molho de açafrão constituem, como diz Maria de Lurdes Modesto, "a mais espantosa das sopas portuguesas".

"Nos anos 20, os empregados fabris não tinham tempo para fazer sopa e então substituíram-na por estes pastéis, uma vez que despendiam muito tempo a confeccioná-los, aguentando durante várias semanas, o que não sucede com a sopa. Este Pastel seco é feito com massa folhada cortada em tirinhas, que se enrolam em forma de espiral, dobrando uma das pontas do pastel para rechear com carne de vaca refogada.O Pastel de Molho era e continua a ser servido com molho de açafrão.

(O molho) prepara-se da seguinte forma: põe-se água a ferver com sal, vinagre, açafrão e um ramo de salsa; coloca-se o Pastel num prato, deitando o caldo por cima, tapa-se com outro prato e aguarda-se um pouco (para "abrir"); o Pastel de Molho "abre", fortalecendo a refeição.O Pastel de Molho é composto por uma massa de margarina ou banha de porco, sal, farinha e recheado com carne guisada (cebola, louro e sal).Para além de poder ser servido com molho de açafrão ou chá preto, pode ainda ser comido apenas como Pastel."

Fonte: Câmara Municipal da Covilhã http://www.cm-covilha.pt/

Eu tenho a receita da massa dos pastéis! Haverá clientes interessados? ...

dezembro 23, 2006

Feliz Natal


Para todos, muitas prendas e muitas gulodices!


dezembro 19, 2006

Rissóis de Camarão

Nada têm de original, mas dão sempre jeito na mesa dos salgadinhos em tempos de festa, não é?

Quando tirei a foto ainda faltava passá-los por ovo batido e pão ralado, mas já eram engraçadinhos...

Para a Massa:
2 chávenas de farinha
1 chávenas de água
1 chávena de leite
1 colher de sopa de margarina
1 casca de limão
sal q.b.

Para o Recheio:
200 grs. de camarão
1 cebola média
2 colheres de sopa de margarina
2 colheres de sopa de farinha
2,5 dl de leite ou caldo de camarão
salsa · sal e pimenta · sumo de limão · 2 gemas

Massa:
Leva-se a água e o leite ao lume com a margarina, a casca de limão e um pouco de sal.
Assim que ferver, retira-se rapidamente o tacho do lume e de uma só vez deita-se dentro a farinha. Mistura-se com a colher de pau e leva-se o tacho novamente a lume fraco, batendo a massa sem parar, até que seque e forme uma bola. Deita-se sobre a mesa de trabalho e amassa-se até arrefecer.Deixa-se descansar durante uns 20 minutos.
Estende-se a massa com o rolo e dispõem-se sobre ela montinhos de recheio que se cobrem com a massa dobrando-a.
Cortam-se com o auxílio dum copo ou de um corta-massa.
Passam-se os rissóis por ovo batido, depois por pão ralado e fritam-se em óleo bem quente.

Recheio:
Cozem-se os camarões e descascam-se. (Há quem prefira descascá-los em crú).
Pisam-se as cascas e as cabeças e levam-se a refogar com a cebola e um pouco de margarina.Cobrem-se com água e deixam-se ferver.Entretanto pica-se a cebola muito finamente e leva-se a alourar com a margarina.Polvilha-se com a farinha, deixa-se cozer um pouco e rega-se com um pouco de leite e o caldo obtido da cozedura dos camarões, tendo o cuidado de o coar antes de utilizar.
Deixa-se o creme cozer até estar bem espesso.Tempera-se com sal, pimenta e sumo de limão e adicionam-se-lhe 2 gemas de ovo. Junta-se um pouco de salsa fresca picada.
É melhor deixar arrefecer o creme antes de o utilizar, facilita o trabalho...

Como fiz 6 dúzias, congelei uma boa parte!

Agora já sabem porque levo às vezes tanto tempo a aparecer!...

dezembro 17, 2006

Bolo de Maçã e Nozes

Esta é a minha receita preferida de bolo de maçã, hipercalórica mas deliciosa!
E é muito fácil de preparar.



Para o bolo:
4 ovos
2 chávenas de chá de açucar
2 chávenas de chá de farinha
1 chávena de miolo de noz
1 chávena de azeite virgem
3 maçãs descascadas e cortadas em pedacinhos
1 colher de chá de essência de baunilha
1 colher de chá de fermento em pó
1 pitada de sal

Cobertura:
1 chávena de açucar amarelo
150 g de manteiga derretida
1/2 chávena de leite
1 pitada de canela

Bater muito bem os ovos com o açucar e juntar o azeite. Bater até não sentir o grão do açucar. Depois juntar a farinha peneirada com o fermento, o sal e a baunilha.
Juntar cuidadosamente as nozes e a maçã, em pedacinhos. Verter a massa num tabuleiro bem untado e cozer em forno médio.
Quando cozido, regar com a cobertura, que se prepara misturando simplesmente todos os ingredientes e levando ao lume até o açucar derreter por completo.
Cortar em quadradinhos, deixar arrefecer e deliciar-se, sem pensar muito no número de calorias por fatia... ;)

dezembro 15, 2006

Notícias do licor

Na segunda-feira passada acabei de preparar o licor de tangerina, mas não fiquei satisfeita com ele...
O cheiro a tangerina é convidativo, o sabor é excelente, mas apesar de o ter coado cuidadosamente, não se apresenta perfeitamente límpido na garrafa.
Se mais alguém tentou a experiência, gostava que me dessem notícias do resultado.


E ainda: há alguns dias a esta parte não consigo fazer comentários em alguns dos vossos blogs que passaram para a versão beta, o que muito me aborrece...A conta do blogger, ao contrário do que é indicado, não dá acesso.
Sabem como ultrapassar este pequeno problema?

dezembro 12, 2006

Frango com Ameijoas

Nos últimos dias, mais ocupada com a confecção de algumas prendas de Natal do que com a cozinha, tenho recorrido muito ao prático e trivial para as refeições da família.

Fiz um destes dias um franguito com ameijoas, de que passo a dar notícias.

Começa-se por temperar o frango, partido aos pedaços, com sal, colorau e um pouco de vinho branco. Deixa-se tomar gosto durante algum tempo e depois passa-se o frango em margarina ou azeite e reserva-se (eu usei azeite) para ficar bronzeado... Faz-se o mesmo a duas ou três tiras de bacon cortadas em pedacinhos. Retiram-se as carnes e, na mesma gordura, aloura-se cebola às rodelas e uns dentitos de alho.
Adiciona-se um bocadinho de vinho branco e polpa de tomate, mexe-se e deixa-se levantar fervura. Nessa altura junta-se o frango e o bacon, e uma folha de louro sem o veio central. Juntam-se também as ameijoas, que devem estar já bem limpas de areia.
Tempera-se tudo com sal e um pouco de piri-piri.
Corta-se um pimento vermelho em tiras e dispõe-se por cima. Tapa-se o tacho e deixa-se cozinhar em lume brando.
Servir polvilhado com um pouco de salsa picada.

dezembro 04, 2006

Licor de Tangerina



Estas são as tangerinas do nosso quintal, mesmo a calhar para preparar o licor, porque não são tratadas com produtos químicos.
Estão agora bem mais maduras do que quando foi tirada a fotografia, e hoje resolvi-me a tentar esta receita, que ainda vai a tempo do Natal.

A primeira fase consiste apenas em lavar as tangerinas, cortar 75 grs de casca dos frutos em tirinhas finas e pô-las a macerar em 1/2 litro de aguardente. Foi o que fiz hoje.

Fica assim durante uma semana e tem de se mexer todos os dias. Depois retiram-se as cascas da aguardente e escorrem-se. Lavam-se em 3 dl de água que se aproveita para a calda.
À água juntam-se 600 grs de açucar, mistura-se tudo e leva-se ao lume até atingir ponto de pérola. Deixa-se arrefecer a calda e mistura-se com a aguardente onde maceraram as cascas; coa-se o licor e guarda-se.
Pelo mesmo processo pode preparar-se licor de laranja: basta que se use casca de laranja em vez de casca de tangerina.

A receita é do chefe Silva. Daqui a uma semana mostro o licor e digo se ficou aprovado.

dezembro 02, 2006

Travia... Sabem o que é?

Não?

Dêem uma vista de olhos aqui.

dezembro 01, 2006

Amarelo da Beira Baixa



Queijo de mistura (ovelha e cabra)curado, de pasta compacta e ligeiramente picante.

novembro 26, 2006

Caldeirada à Fragateira

Na sexta-feira passada, ao passar pela banca do peixe na praça, ocorreu-me a ideia de preparar uma bela caldeirada, daquelas que apuram com calma, e para onde a colher de pau não é chamada.
Comprei safio, raia, cação e cantaril. Se houvesse enguias teria juntado uma, e o tamboril também teria sido boa companhia. mas tudo o que não há se escusa.

Chegada a casa limpei e lavei o peixinho, cortei-o em pedaços e salpiquei-o com sal.
Descasquei duas belas cebolas e uns dentes de alho. À falta de melhor, porque a época dos tomates já acabou, abri uma lata de tomate pelado.

Posto isto, escolhi o tacho de fundo mais espesso e começei a acomodar os ingredientes assim:
Um fundo de azeite no tacho, rodelas de cebola, uma folha de louro, um dente de alho picado, uns ramos de salsa acabada de colher. Uma camada de peixe e uma de tomate às rodelas, mais a polpa respectiva. Mais cebola, mais peixe, mais tomate... Tudo temperado com sal, pimenta, e umas gotas de piri-piri. Mais um golinho de azeite.
Tapei o tacho e levei ao lume, brando, durante cerca de 30 a 40 minutos.
Durante esse tempo fui sacudindo suavemente o tacho, para que nada se pegasse ao fundo, e a tampa permanecer no lugar.
Quando ficou pronto, servi sobre fatias de pão de mistura.

Se tivesse sobrado caldo, cozia umas massinhas à parte e fazia a sopa da caldeirada, mas tal não aconteceu.

Tirei esta foto, que peca por não ter cheirinho...

Feijão Arroz

Eis finalmente o feijão-arroz, comparado com outros dois tipos de feijão bem conhecidos:



- Em cima o feijão catarino
- Em baixo o feijão frade comum
- À direita o pequeno feijão-arroz

Curioso, não é?

novembro 21, 2006

Pãezinhos de Queijo


Enquanto não mostro o feijão arroz, sempre vos digo que fiz pãezinhos de queijo, segundo uma receita da Eliana, e que ficaram muito bons. Uma delícia , para quem gosta muito de queijo, como eu...
Receita textual da Eliana:

"1/2 ql de polvilho (doce ou azedo)
400 g de queijo ralado
1/2 xícara (chá) óleo
3/4 xícara (chá) farinha de milho
200 ml de leite frio
sal a gosto
1/2 xícara (chá) água fria
2 ovos

Preparo:

Coloque o polvilho numa vasilha grande e tempere com o sal, pegue a água e faça uma chuva com ela sobre o polvilho, e comece a sovar, até ficar bem fininho, esquente bastante o óleo e escalde o polvilho e reserve. Em um prato fundo coloque a farinha de milho e vá adicionando o leite até virar um mingau bem molhinho e molhadinho, se sobrar leite reserve você pode precisar dele. Ai você vai juntar ao polvilho reservado o mingau de farinha de milho, o queijo ralado, os ovos e sovar bastante, se perceber que a massa esta um pouco dura vai pingando leite e sovando até ficar macia. Faça as bolinhas e asse em forno 180 graus até dourar. Você pode também fazer as bolinhas e levar ao freezer por até 3 meses".



Obrigada, Eliana! :D

novembro 17, 2006

Adivinha...

Viver e aprender...
Alguém sabe o que é feijão arroz?

:) Fico à espera das vossas sugestões!

novembro 16, 2006

A pedido da Vandinha...

Aqui vão as receitas do creme de pasteleiro e do creme de manteiga.
Com os doces não há "olhómetro", é tudo devidamente pesado e medido!

O creme de pasteleiro :
Ferver 1/2 litro de de leite com uma vagem de baunilha ou com uma casca de limão, segundo as vossas preferências. Reservar.

Bater bem 4 ovos inteiros com 150 g de açucar, juntar 2 colheres de sopa de farinha e duas colheres de sopa de manteiga amolecida.

Quando tudo estiver bem batido e homogéneo, dissolver com o leite previamente fervido com o aroma escolhido e levar a mistura ao lume, num tachinho. Deixar engrossar o creme, em lume brando, mexendo sempre. Este creme não talha ao lume, se a temperatura for devidamente controlada, por isso deixem-no cozer devidamente.


O Creme de manteiga:
1ª fase - colocar uma tigela com 1 ovo inteiro e uma gema sobre um recipiente com água a ferver. Juntar 75 g de açucar e bater até a mistura ficar cremosa e leve e não se sentir o açucar (muito importante!)
Retirar a tigela do banho-maria e deixar arrefecer. Eventualmente colocá-la num recipiente com água fria ou mesmo gelo (agora, com o tempo frio, não é preciso).

2ª fase - bater 250 g de manteiga sem sal até ficar em creme, e juntar 40 g de açucar em pó. Bater bem, até a mistura se mostrar fofa. Adicionar cuidadosamente a mistura de ovos, aos poucos. Envolver bem, de modo a que o creme fique bem liso.

Este creme pode ser aromatizado com café, chocolate, ou licor... para o colorir basta juntar algumas gotas de corante alimentar.

Nota: Esta é a receita, na íntegra, do creme de manteiga.
Dado não ser aconselhável usar preparações com ovos crus, e apesar dos ovos utilizados aqui em casa serem recolhidos diariamente na capoeira, por se tratar de crianças não arrisquei... O creme que aparece nas fotos foi preparado como se explica na 2ª fase, não fiz a mistura de ovos. Aumentei apenas ligeiramente a quantidade de açucar em pó.

novembro 14, 2006

O São Martinho e as 4 Primaveras

O dia de São Martinho foi por cá um dia de festa dupla: a minha afilhada faz anos nesse dia.


Para além do magusto e da jeropiga, há festa de aniversário e criançada.
A madrinha também contribuiu, claro está!
Para além de outras coisas, fiz um bolo-comboio, composto por quatro carrugens multicolores, cheias de gomas, smarties e outras guloseimas.


As carruagens devem ser cozidas em formas de bolo inglês pequenas, de 10 x 15. O ideal são as formas de papel ou alumínio descartáveis. Como não me foi possível encontrá-las, tive de utilizar formas de bolo inglês de tamanho normal, e cortar cada "carruagem" ao meio. Claro que isto interfere no resultado estético final, para pior.

Para cada "carruagem" são necessários :

3 ovos
125 g de açucar
80 g de farinha
raspa de meia laranja
1 pitada de sal

Batem-se as claras em castelo com a pitada de sal. Quando estão quase a atingir o ponto, junta-se-lhes metade do açucar e batem-se um pouco mais. Reservam-se.As gemas batem-se com o açucar restante, até formarem um creme volumoso e esbranquiçado. Nessa altura junta-se a farinha peneirada, aos poucos, alternando com as claras batidas anteriormente, e a raspa da laranja.
Verte-se a massa nas formas, untadas e polvilhadas com farinha. Cozem em forno a 180ºC.

Utilizei creme de pasteleiro para rechear cada bolo, e no fim barrei-os com creme de manteiga, que separei em quatro porções. A cada porção juntei um pouco de corante alimentar, para obter 4 cores diferentes.

Como sobraram ingredientes ainda lhe fiz mais este, para partilhar com os amiguinhos do infantário:



Aqui a decoração ficou a cargo da minha filha Joana, que se saiu muito bem, não acham? Pena que as cores da foto não sejam fiéis...

novembro 12, 2006

Pargo Assado no Forno

É quase sempre assim que asso peixe no forno, no dia-a-dia.
Da última vez eram pargos pequenos, assei um por pessoa.

Começo por salpicá-los com sal, para tomarem gosto.
Depois disponho cebola cortada às rodelas na assadeira, tomate em lâminas, uma folha de louro e uns raminhos de salsa.
Coloco o peixe por cima desta "cama" e rego com azeite e sumo de limão, e uns dentes de alho esmagados. Tempero com um pouco mais de sal e pimenta.
À volta, junto batatinhas cortadas aos quartos, para assarem com o peixe, e sirvo com uma salada verde.

Assim, muito simples.

novembro 10, 2006

Doce de Abóbora



A simples receita do meu doce de abóbora:

Limpo e corto a abóbora em cubinhos;
Por cada quilo de abóbora limpa uso 900 grs de açucar, 200 grs de miolo de noz, e um pau de canela.

Ponho tudo numa panela, e deixo ficar assim de um dia para o outro. A abóbora larga água e o açucar transforma-se numa calda.
Levo a panela ao lume, destapada, e deixo-a ferver em lume brando até ganhar ponto.
Aqui é que reside o busílis, porque sem pesa-xarope só com a experiência... Para 3 quilos de abóbora, isso nunca leva menos que duas horas e meia, mais ou menos.
Para verificar,deita-se um pouco de doce num pratinho e passa-se o dedo; quando a "estrada" que abre se mantém, em princípio o doce está pronto.

Nessa altura junto-lhe as nozes partidas, e verto o doce em frascos esterilizados.
Nunca o desfaço com a varinha, gosto de encontrar os pedaços de abóbora que resitem à cozedura. Quem gostar dele desfeito pode sempre passá-lo, claro.

Se ultrapassar o ponto crítico, o doce ganhará crostas de açucar; se pelo contrário não tiver "ponto", não se conservará devidamente.

novembro 07, 2006

Réstias de Sol

Tanta chuva, tanta chuva! E o Verão de São Martinho que não chega...

As últimas flores do meu jardim:










E as cascatas que correm pelas encostas:

novembro 06, 2006

Tarte à Florentina

Chama-se "à florentina" como tantas outras preparações, porque leva espinafres.
Segundo Mª de Lurdes Modesto, parece que a razão da denominação tem alguma coisa a ver com Catarina de Médicis, que foi rainha de França mas era natural de Florença, e gostava muito de espinafres... E ela merece todo o crédito.

Preparei esta tarte num daqueles dias em que o frigorífico não tinha muito para me inspirar e eu estava com pressa. Não fiquei desiludida!

Usei uma base de massa folhada comprada pronta e preparei assim o recheio:

Alourei 125 g de bacon cortado em tirinhas num pouquinho de azeite, retirei o bacon e salteei 350g de espinafres até amolecerem.
Juntei-os ao bacon e misturei tudo com um requeijão batido, 1 dente de alho espremido, um pouco de queijo parmesão ralado, 2 ovos inteiros e coentros picados.
Tudo temperado com sal, pimenta e uma raspa de noz-moscada.

verti na forma, previamente forrada com a massa:



Pûs-lhe as aparas da massa por cima do recheio e levei ao forno até solidificar, sem deixar cozer demasiado.





Gostei muito, e vou fazê-la mais vezes, também para alegria das minhas filhas, que gostam quase tanto de espinafres como Catarina de Médicis!

novembro 02, 2006

Outono...































Às castanhas, que estão a "velar" vai fazer companhia a jeropiga, que está na adega, já no dia de São Martinho!

A geleia de marmelo e a marmelada já estão prontas...

Da abóbora vou fazer o meu doce preferido, com nozes, claro. Depois mostro.

outubro 31, 2006

Bolos de Soda



A despeito do nome, que pode parecer pouco apetitoso, são muito bons, estes bolinhos!
Com eles, fecho por agora esta série de bolos tradicionais. Gosto deles ao pequeno almoço, com uma caneca de café com leite quentinho...

As quantidades desta receita dão para 4 dúzias de bolinhos.
São muito fáceis de fazer.

Levam:
1 chávena de chá de açucar
1 chávena de chávena de chá de azeite
1 chávena de chá de leite
2 colheres de chá de fermento
1 colher de café de bicarbonato
1 colher de chá de aguardente
4 ovos
sal q.b.
farinha (cerca de 1 Kg)

Batem-se muito bem os ovos com o açucar até obter uma mistura espumosa; acrescentam-se os líquidos: azeite, leite e aguardente. Junta-se a farinha peneirada com o fermento, o sal e o bicarbonato, até a massa adquirir uma textura que permita tendê-la em pequenos bolinhos(eu usei 850 g).

Untam-se dois tabuleiros com azeite e polvilham-se com farinha. Dispõe-se a massa em montinhos alternados, com uma colher, para não se colarem uns aos outros.

Pincelam-se com gema de ovo e polvilham-se com açucar.

Cozem em forno esperto, durante cerca de 10 a 15 minutos.

Com a experiência, constatei que os últimos bolinhos a cozer são os que crescem mais... Por isso acho que a massa só tem a ganhar se a deixarem descansar uns 15 minutos antes de começarem a tender os bolinhos.

outubro 29, 2006

Bolo de Limão



Relacionada com o "tabuleiro de noiva" ainda me falta postar aqui a receita dos bolos de soda, mas entretanto fiz este cake de limão, e não resisto a dar a receita, porque foi um verdadeiro sucesso!

A receita é da Mercotte, que a postou como base para um bolo mármore. Da próxima vez aproveito a sugestão, mas garanto que mesmo assim, simples, é uma delícia!

Cá vai:

5 ovos
250 g de açucar
150g de natas espessas
225 g de farinha
5 g de fermento em pó
100 g de manteiga derretida
raspa de 2 limões
1 pitada de sal
25 g de rum

Bater bem os ovos inteiros com o açucar e uma pitada de sal. Adicionar as natas e bater bem. Juntar a raspa dos limões.
Adicionar a farinha peneirada com o fermento, o rum, e por fim a manteiga derretida.
Levar a cozer em forno moderado, numa forma de bolo inglês bem untada com manteiga e polvilhada com farinha.

Aconselho a todos quantos gostem de limão; é simples de fazer e o resultado é mesmo gratificante.

outubro 25, 2006

Bolo Finto



A vida por aqui é um sossego... Esta é a igreja matriz da vila. Há outra, nova, mas menos pitoresca, embora bonita também.

Viram o bolo grande na foto do último post? Chama-se bolo finto ou sequilho, e é uma espécie de folar, óptimo para pequenos almoços ou lanches; eu gosto de comê-lo com manteiga ou geleia de marmelo.

A receita que tenho dá para 3 bolos:

14 ovos
700 g de açucar
cerca de 3 kg de farinha
60 g de fermento de padeiro
2,5 dl de leite
2 dl de azeite
1 cálice de aguardente
1/2 colher de sobremesa de erva-doce (facultativo)
sal q.b.
1 ovo batido e açucar para dourar.

Dilui-se o fermento num pouco de água morna; batem-se os ovos com o açucar e junta-se o azeite, o leite, a aguardente, o sal necessário e a erva-doce. Junta-se o fermento diluído. Aquece-se ligeiramente esta mistura em lume muito brando e depois vai-se juntando a farinha, até obter massa com consistência semelhante à massa de pão. Pode não ser necessário adicionar a farinha toda, depende muito do tamanho dos ovos e do grau de humidade.

Amassa-se muito bem, até formar bolhas. Deixa-se fintar durante cerca de 5 horas, abafada com um pano branco, longe de correntes de ar.
Quando finta (lembrem-se que a massa deve duplicar de volume e o tempo é indicativo, porque depende muito da temperatura ambiente), divide-se em 3 parte iguais e formam-se os bolos. Deixam-se crescer novamente, bem separados uns dos outros, sobre o tabuleiro onde vão cozer. Depois pincelam-se com ovo batido e polvilham-se com açucar.

O ideal é cozê-los em forno de lenha (acho que o Kuka tem um, que sorte!), mas na falta usamos o forno doméstico, com temperatura moderada.

Como vêem, é preciso um pouco de paciência, mas valem bem a pena!

Se quiserem experimentar podem sempre dividir as quantidades da receita ao meio, o que facilitará bastante a tarefa.

outubro 24, 2006

Esquecidos



"Esquecidos" é o nome que se dá aos bolos secos achatados, ao cimo, à esquerda na imagem. É uma foto de um "tabuleiro de noiva" beirão, mas todos os bolos que lá se vêem se comem durante o ano inteiro por estas bandas, tendo desaparecido o costume de oferecê-los aos vizinhos e amigos quando há casamento.

Os esquecidos são macios e leves, muito simples e fáceis de fazer.
Podem ser utilizados na preparação de sobremesas, em substituição dos biscoitos "la reine".

Precisamos de:
3 ovos
200 g de açucar
250 g de farinha com fermento
1 pitada de sal

Os ovos batem-se com o açucar, sem dó nem piedade, até a mistura ficar esbranquiçada e ter aumentado de volume. Nessa altura junta-se a farinha peneirada com o sal, aos poucos, sem bater excessivamente.

A massa dispõe-se às colheradas num tabuleiro forrado com papel vegetal, untado com manteiga e polvilhado com farinha.
Deve-se ter o cuidado de espaçar os bolos, porque têm tendência a alastrar, como se vê pela sua forma.
Vigiar, porque a cozedura é rápida!

Na foto há ainda:
- cavacas (reconhecem-se por estarem cobertas de açucar)
- um bolo finto (o maior, em baixo), que é uma espécie de pão doce muito fofo
- biscoitos de azeite, também chamados de de 3 pernas (em cima, à direita)
- bolos de soda, assim chamados por levarem bicarbonato de soda em vez de fermento
(vê-se apenas um, na imagem, a seguir ao bolo finto).

Esta receita é dedicada à minha leitora ou leitor da Idanha, que está longe da sua terra, e que me dá o prazer de ler este modesto blog...

outubro 09, 2006

Coisas de cá...

Obrigada a todos pelos comentários simpáticos que por cá têm deixado.
Não tenho dado muitas notícias, mas penso que a partir da próxima semana retome o ritmo normal; afinal parece que sempre é possível instalar o ADSL na minha nova casinha - cruzes, canhoto, não vá o diabo tecê-las!!...

Bom, isto é um blog de culinária, mas vou mostrar os nossos dois novos amiguinhos:




São o Faustino e o Fugêncio (este último chama-se assim porque foge por tudo e por nada... Parecem duas tartaruguinhas, mas não são: são dois cágados bébés que não deviam ter sido retirados do seu habitat e que eu e as minhas meninas tomámos ao nosso cuidado.

Não são giros? Adoram apanhar sol.





Agora coisas sérias: proponho-me dar-vos algumas receitas de biscoitos e bolinhos típicos desta região. Que acham?
A maior parte das receitas faz parte dos cadernos de culinária da família há anos.

Vamos começar pelos biscoitos de azeite.



São pouco doces, e têm uma textura semelhante à das cavacas. Vendem-se em quase todas as padarias e pastelarias de cá. Os da imagem são grandes, mas podem fazer-se mais maneirinhos, que é como eu gosto deles para servir com o cafézinho.

A receita base leva:

5 ovos inteiros e 3 gemas ;
1 chávena de açúcar ;
1/4 l de azeite ;
meio cálice de aguardente ;
farinha que baste, como se explica abaixo;
ovo para pincelar, e açucar para polvilhar

Batem-se os ovos inteiros com as gemas e o açúcar até duplicar de volume e não se sentir o açucar. Aquece-se um pouco o azeite em banho-maria e junta-se aos ovos; bate-se um pouco mais.

Em seguida vai-se adicionando a farinha (cerca de 500 g) à mão, e amassa-se bem. Junta-se a aguardente e, se for necessário, um pouco mais de farinha. A massa deve ficar macia mas permitir que se moldem os biscoitos, como explico a seguir, por isso a quantidade de farinha deve ser rectificada segundo diversos factores, como o tamanho dos ovos, ou o teor de humidade da própria farinha...
Deixa-se descansar um pouco a massa, e depois estende-se numa superfície enfarinhada.

Os biscoitos tendem-se formando 1º um pequeno rolo grosso, que se corta em dois sítios, separando a massa de modo a obter-se um biscoito com três pernas. Esta é a forma mais típica, mas também se podem moldar em S ou de qualquer outra forma.
Pincelam-se com ovo batido, e quem gostar pode também polvilhar com açucar, como se faz na Idanha. Levam-se a cozer em forno bem quente, até ficarem lourinhos.

Se experimentarem, dêem notícias!

setembro 28, 2006

A cabidela

Pois é, às vezes as coisas não saem bem como as planeamos, já todos sabemos.
De facto inaugurei a minha cozinha nova na data prevista, mas Internet que é bom, nada…
Mudar da capital para o interior é assim, tem vantagens e inconvenientes. O problema ainda não está resolvido, mas pelo menos já posso dar notícias!

Bom, na cozinha tenho-me dedicado a experimentar algumas das receitas dos vossos blogs que se encontravam em stand-by, mas hoje vou dar a receita da minha cabidela de frango.
Foi feita numa quinta de familiares onde me cruzei com alguns bichinhos simpáticos ( e que servem para se fazerem outros petiscos...) :












E digam lá se este não é mesmo fotogénico?










Passemos então à cabidela:

Fica melhor com franguinho ou galinha caseiros, mas pode usar-se um bom frango do campo, que já se vende acompanhado com a saqueta de sangue respectiva. As almas sensíveis que me perdoem!... De qualquer forma deixem-me dizer-lhes que cozinho e como a cabidela na maior, mas só desde que outro mate o bicho!
Depois de cortada a ave em pedaços, esfrega-se com vinagre, vinho verde branco e sal.
Fazer um refogado puxadinho de azeite e banha, juntar uma pitada de colorau, pimenta branca e salsa picada. Juntar e deixar estufar o(s) franganote(s). No caso eram três, porque éramos muitos a almoçar!
Quando estiver no ponto, se houver gordura a mais, tira-se o excesso e deixa-se apenas a que for conveniente para a calda do arroz. Isto dependerá um pouco do gosto pessoal de cada um...
Junta-se chouriço de carne e bocadinhos de presunto, se for bom.
Medir a quantidade de água necessária e juntar igualmente o sangue (1), de forma a que o arroz não venha a ficar excessivamente aguado. Eu uso normalmente 3 medidas de água para uma de arroz (carolino, neste tipo de receitas). Quando a calda levantar fervura, juntar o arroz e deixá-lo abrir sem empapar; rectificar os temperos e servir assim que ficar no ponto.

(1) O sangue aproveita-se aquando do abate da ave; para o conservar líquido junta-se-lhe um pouco de vinagre.

setembro 11, 2006

Há falta de novidades...

A nova cozinha vai ser estreada na semana que vem.
As minhas espreitadelas têm sido breves e feitas através de "soluções alternativas", visto que ainda não há net em casa, e mais: ainda não estou em casa!
Ficou por contar a história de uma cabidela feita nas férias, com 3 polhos da quinta de dois simpáticos primos, e que foi um sucesso.
Há também fotografias não publicadas da dita quinta, e de toda a criação que por lá há, desde cabras, porcos, patos, pombos... Ou seja, para os que me seguem, acho que descobri como fazer a tal chanfana de que aqui falei, lembram-se? ;)

Especialmente para a Elvira, que me desafiou:

CINCO COISAS PARA COMER ANTES DE MORRER

1- Uma bela lagosta suada num jantar romântico, vendo o mar como fundo e o céu estrelado. Acompanhada com um belo branco verde que a merecesse.

2 - Codornizes bravas estufadas a preceito com couve lombarda.

3 - Empanturrar-me de percebes e ameijoas pretas enormes, regadas a imperial.

4 - Comer um belo cabrito estonado à moda da Beira, de preferência preparado pela minha mãe.


5 - Um grande "pijama" de doces conventuais a transbordar de açucar e gemas de ovos, de todas as qualidades e feitios, porque quam vai morrer deixou de ter preocupações dietéticas!

Passo a batata quente à Mónica, ao Kuka, ao Chalabi e à Cristina, se quiserem responder, claro!

agosto 29, 2006

A minha cozinha está um caos... E uma sopa de garoupa


Quem costumava passar por cá diariamente à procura de novas experiências culinárias anda desiludido... dá com o mesmo "post" durante dias.
Ora isto tem uma explicação: estou em mudanças.
A minha cozinha já não é a minha cozinha, a maior parte dos equipamentos já viajou, e estou limitada ao estritamente necessário para sobreviver na "selva".
Por outro lado, o equipamento informático também está prestes a ser embalado...

Mas mesmo assim deu para fazer uma sopinha de garoupa, descomplicada e deliciosa!
Cá vai:

Utilizei uma cabeça da dita, que limpei e salguei.
Passada uma hora, cozi-a em água temperada com sal, cebola em pedaços, louro, alguns grãos de pimenta preta, cenoura e tomilho. Dez minutos em lume brando foram suficientes. Retirei-a da panela e coei o caldinho.

Fiz um refogado com cebola, azeite, alho e louro, a que juntei tomate pelado e picado, pimento cortado em pedacinhos, umas hastes de coentros e piripiri.
Apurou bem, e quando ficou no ponto, juntei o caldo do peixe.

Retirei as hastes de coentros e, quando levantou fervura, juntei uma mão-cheia de massa de cotovelinho. Provei, juntei um pouco de sal e pimenta e deixei a massa cozer em lume brando. Quando ficou macia juntei a carne do peixe, desfiada e limpa de espinhas.

Ao servir juntei uma folhinha de hortelã à tigela.
Depois do que, reconfortada, voltei às caixas e caixotes!...

agosto 25, 2006

Quiche de pimentos




Pimentinhos bons são o que não falta nesta época do ano, e eu que gosto tanto deles!
Os do quintal paterno que me vão chegando são gordos e carnudos, mesmo como eu gosto. Há que comê-los, e como não se fazem sardinhadas todos os dias, procurar novas formas de os utilizar. Esta receita saiu-me bem simpática!

Massa:
200 g de farinha
1 ovo
5 colheres de sopa de leite
80 g de manteiga fria
sal e pimenta

Recheio:
3 pimentos, se possível de cores diferentes
1 boa cebola
2 ou 3 dentes de alho
250 g de bom chouriço
3 colheres de sopa de azeite
temperos: cominhos, sal, pimenta preta acabada de moer

Creme:
200 g de natas
4 ovos
queijinho ralado
se tiverem, 1 ramo de cebolinho
pimenta, sal, noz moscada

Preparar a massa da forma habitual, deixar descansar no frio 1 quarto de hora e forrar com ela uma forma redonda. Picar a massa com um garfo e conservar no frio.

Alourar a cebola e o alho no azeite, juntar os pimentos cortados aos cubinhos e temperar. Deixar apurar tudo.
Misturar as natas com os ovos e o queijo, temperar, juntar o preparado de pimentos e o chouriço às rodelas.
Ditribuir o recheio sobre a massa e levar a forno bem quente durante cerca de quarenta minutos.

São mais as vozes que as nozes, é muito fácil de fazer. Boa quiche!

agosto 22, 2006

Tarte de manteiga e canela



Esta tarte dá um belo tabuleiro de bolo leve e macio...

Prepara-se a massa com:
400 grs de farinha
1.25dl de leite
40 grs de fermento de padeiro
100grs de açucar
150grs de manteiga
sal q.b.
raspa de limão

Numa tigela misturam-se os elementos secos. Dissolve-se o fermento no leite morno e junta-se à tigela. Amassa-se bem e junta-se a manteiga amolecida. Continua a amassar-se até incorporar bem toda a manteiga.
Forma-se uma bola com a massa e deixa-se levedar até duplicar de volume.
Depois, volta a amassar-se ligeiramente e estende-se sobre um tabuleiro previamente forrado com papel vegetal. Levanta-se ligeiramente a massa a toda a volta do tabuleiro, pica-se com um garfo fazem-se-lhe pequenas depressões com o dedo.

Pincela-se com 125 grs de mateiga derretida e cobre-se com uma mistura de 150 grs de açucar e uma colher de chá de canela.

Deixa-se repousar mais 15 minutos e leva-se ao forno bem quente. Se alourar muito antes de ficar cozida, cobrir com folha de alumínio.

Fantástica para o pequeno almoço!

agosto 17, 2006

Boas Notícias!

Do Diário Digital Sapo :

"Café Império volta a abrir portas na quarta-feira

Três meses depois de ter encerrado portas, por ordem da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), proprietária do imóvel, o Café Império foi devolvido, na última quarta-feira, aos lisboetas, com a promessa de abertura ao público já na próxima quarta-feira.
A notícia surge na edição desta quinta-feira do jornal Diário de Notícias, que recorda o edifício foi, entretanto, alvo de profundas obras de renovação, orçadas em 1,1 milhões de euros.

Aberto desde 1955 e um dos ex libris de Lisboa, o Café Império foi encerrado, pela IURD, numa medida que levou ao despedimento de 18 funcionários e provocou grande contestação popular, pelo receio que o histórico estabelecimento desse lugar a mais uma sala de culto daquela confissão religiosa, dona das instalações do antigo Cinema Império.

Um mês mais tarde, a IURD avançou com obras, entretanto embargadas pela Câmara de Lisboa, levando o proprietário a mudar de planos e a trespassar o café.

Desde Maio sob a gestão de Paulo Ribeiro, o espaço promete redinamizar a capital, atrair os turistas e promover o entrosamento das várias gerações.

Segundo o novo gerente do Café Império, o novo espaço vai ter um horário de funcionamento entre as 07.00 e as 2.00, o almoço será económico e servido num ambiente carregado de história, com o célebre bife à Império a manter-se na ementa.

O jantar, por sua vez, terá como acompanhamento música ambiente ou ao vivo, sendo que, a partir das 23.00, o restaurante transforma-se num bar nocturno, com uma tela de cinema.

O Café Império terá ainda um espaço reservado às crianças, outro para os mais jovens, com acesso à Internet, e um salão para casamentos e conferências."

agosto 10, 2006

Crepes de batata moscovitas



São uma maneira de usar as batatas de forma diferente.

Primeiro convidamos os amigos, depois para os fazer usamos:

1 batata cozida com pele
1 cebola
1 ovo
2 colheres de sobremesa de natas
sal q.b.; pimenta (facultativo)
750 g de batatas (de preferência farinhentas)

Descascar a batata cozida e reduzi-la a puré. Juntar a cebola moída, misturar o ovo, as natas e o sal.
Descascar as batatas restantes e ralá-las. Misturar com o puré.

Colocar uma frigideira ao lume com duas colheres de sopa de óleo e deixar aquecer moderadamente, para não fazer fumo... Deitar 3 porções de massa na frigideira de cada vez e achatar (ficam + ou- com o tamanho da palma da mão). Deixar cozer em lume brando durante 3 a 4 minutos e virar os crepes. Repetir até esgotar a massa.

Servem-se quentes com fatias finas de salmão fumado ou marinado, e vão bem com um bom espumante português.

agosto 09, 2006

Bifes


É raro, mas de vez em quando dão-me umas súbitas vontades de comer um bom bife.
E digo que é raro porque eu gosto mesmo muito é de peixinho, e porque se a carne não for de muito boa qualidade os bifes acabam tipo sola-de-sapato, por mais caros que se comprem, e isso irrita-me muito.

Quando me dão estes apetites e apanho uns bifinhos a jeito, normalmente "trato-os" segundo a tradição da Ilha de São Miguel, simples e deliciosa. Experimentem!

Esmagam-se uns dentes de alho com um pouco de massa de malagueta e barram-se os bifes, que depois se deixam a descansar por meia a uma horita.

Derrete-se a manteiga necessária para cobrir o fundo da frigideira (usar mesmo manteiga!) e juntar-lhe uma folhinha de louro. Fritar os bifes em lume não muito forte, virando-os, e temperar de sal e pimenta moída na altura. Eu gosto (e acho que ficam muito bem) meio-passados.

Retirá-los para o prato de serviço e juntar um pouco de vinho branco aos sucos da frigideira. Deixar apurar e verter o molho por cima dos bifes.

Regalar-se com eles e um bom prato de batatas fritas, que é só de vez em quando!...

Outra forma de satisfazer a gulodice era ir até ao "Império", ali ao pé da Alameda... mas fechou, e é pena!
Sobra-nos o Tico-Tico, menos mal.

agosto 08, 2006

Carrot Cake (EUA)


A Pascale Weeks, autora de um dos blogs de culinária franceses de que mais gosto, publicou este livrinho, que fizeram o favor de me oferecer.

É pequenino, cabe na palma da mão, e tem receitas fantásticas. Não tem fotografias, mas a Pascale vai compondo o "making-off" do livro com as que lhe enviam todos aqueles que as experimentam.

As receitas são todas inglesas e americanas, pois o objectivo do livrinho é mesmo esse: dar a conhecer as guloseimas do lado de lá do Atlântico.

Já o li todo, e já fiz o bolo de cenoura (carrot cake), que ficou uma delícia.

A receita, com pequenas alterações feitas por mim:

280 g de farinha c/ fermento
300 grs de açucar
1 colher de chá de fermento em pó
200 ml de óleo de girassol (a receita diz 250 mas eu cortei um bocadinho)
280 grs de cenoura ralada, crua
4 ovos
1 pitada de sal (omitida na receita)
1 colher de café de canela
1 colher de café de gengibre em pó
1 pacote de açucar baunilhado

Numa tigela grande mistura-se o açucar, a farinha, o fermento, o sal e as especiarias. Junta-se o óleo e envolve-se bem, junta-se a cenoura ralada e os ovos, um a um, mexendo bem entre cada adição. Coze em forno aquecido a 280ºC, durante cerca de 45 minutos. Desenforma-se depois de morno.

O bolo fica húmido e fofinho, e mantém-se assim por vários dias.

Para uma ocasião mais especial, cubram com queijo creme batido com açucar em pó a gosto e uma gotas de sumo de limão.



A foto é a da Pascale, porque deixei o telemóvel com que tiro as minhas fotos às minhas filhotas, que continuam de férias. Por sinal tenho lá algumas guardadas que vou partilhar convosco logo que elas regressem...

agosto 07, 2006

De volta

Olá a todos! Estou de regresso.
Obrigada pelos votos de boas férias que aqui deixaram, eu também já tinha muitas saudades da blogosfera.
Ainda não me meti a sério com os tachos, tenho estado a pôr a leitura dos vossos blogs em dia, mas em breve haverá novidades...