outubro 24, 2006

Esquecidos



"Esquecidos" é o nome que se dá aos bolos secos achatados, ao cimo, à esquerda na imagem. É uma foto de um "tabuleiro de noiva" beirão, mas todos os bolos que lá se vêem se comem durante o ano inteiro por estas bandas, tendo desaparecido o costume de oferecê-los aos vizinhos e amigos quando há casamento.

Os esquecidos são macios e leves, muito simples e fáceis de fazer.
Podem ser utilizados na preparação de sobremesas, em substituição dos biscoitos "la reine".

Precisamos de:
3 ovos
200 g de açucar
250 g de farinha com fermento
1 pitada de sal

Os ovos batem-se com o açucar, sem dó nem piedade, até a mistura ficar esbranquiçada e ter aumentado de volume. Nessa altura junta-se a farinha peneirada com o sal, aos poucos, sem bater excessivamente.

A massa dispõe-se às colheradas num tabuleiro forrado com papel vegetal, untado com manteiga e polvilhado com farinha.
Deve-se ter o cuidado de espaçar os bolos, porque têm tendência a alastrar, como se vê pela sua forma.
Vigiar, porque a cozedura é rápida!

Na foto há ainda:
- cavacas (reconhecem-se por estarem cobertas de açucar)
- um bolo finto (o maior, em baixo), que é uma espécie de pão doce muito fofo
- biscoitos de azeite, também chamados de de 3 pernas (em cima, à direita)
- bolos de soda, assim chamados por levarem bicarbonato de soda em vez de fermento
(vê-se apenas um, na imagem, a seguir ao bolo finto).

Esta receita é dedicada à minha leitora ou leitor da Idanha, que está longe da sua terra, e que me dá o prazer de ler este modesto blog...

outubro 09, 2006

Coisas de cá...

Obrigada a todos pelos comentários simpáticos que por cá têm deixado.
Não tenho dado muitas notícias, mas penso que a partir da próxima semana retome o ritmo normal; afinal parece que sempre é possível instalar o ADSL na minha nova casinha - cruzes, canhoto, não vá o diabo tecê-las!!...

Bom, isto é um blog de culinária, mas vou mostrar os nossos dois novos amiguinhos:




São o Faustino e o Fugêncio (este último chama-se assim porque foge por tudo e por nada... Parecem duas tartaruguinhas, mas não são: são dois cágados bébés que não deviam ter sido retirados do seu habitat e que eu e as minhas meninas tomámos ao nosso cuidado.

Não são giros? Adoram apanhar sol.





Agora coisas sérias: proponho-me dar-vos algumas receitas de biscoitos e bolinhos típicos desta região. Que acham?
A maior parte das receitas faz parte dos cadernos de culinária da família há anos.

Vamos começar pelos biscoitos de azeite.



São pouco doces, e têm uma textura semelhante à das cavacas. Vendem-se em quase todas as padarias e pastelarias de cá. Os da imagem são grandes, mas podem fazer-se mais maneirinhos, que é como eu gosto deles para servir com o cafézinho.

A receita base leva:

5 ovos inteiros e 3 gemas ;
1 chávena de açúcar ;
1/4 l de azeite ;
meio cálice de aguardente ;
farinha que baste, como se explica abaixo;
ovo para pincelar, e açucar para polvilhar

Batem-se os ovos inteiros com as gemas e o açúcar até duplicar de volume e não se sentir o açucar. Aquece-se um pouco o azeite em banho-maria e junta-se aos ovos; bate-se um pouco mais.

Em seguida vai-se adicionando a farinha (cerca de 500 g) à mão, e amassa-se bem. Junta-se a aguardente e, se for necessário, um pouco mais de farinha. A massa deve ficar macia mas permitir que se moldem os biscoitos, como explico a seguir, por isso a quantidade de farinha deve ser rectificada segundo diversos factores, como o tamanho dos ovos, ou o teor de humidade da própria farinha...
Deixa-se descansar um pouco a massa, e depois estende-se numa superfície enfarinhada.

Os biscoitos tendem-se formando 1º um pequeno rolo grosso, que se corta em dois sítios, separando a massa de modo a obter-se um biscoito com três pernas. Esta é a forma mais típica, mas também se podem moldar em S ou de qualquer outra forma.
Pincelam-se com ovo batido, e quem gostar pode também polvilhar com açucar, como se faz na Idanha. Levam-se a cozer em forno bem quente, até ficarem lourinhos.

Se experimentarem, dêem notícias!

setembro 28, 2006

A cabidela

Pois é, às vezes as coisas não saem bem como as planeamos, já todos sabemos.
De facto inaugurei a minha cozinha nova na data prevista, mas Internet que é bom, nada…
Mudar da capital para o interior é assim, tem vantagens e inconvenientes. O problema ainda não está resolvido, mas pelo menos já posso dar notícias!

Bom, na cozinha tenho-me dedicado a experimentar algumas das receitas dos vossos blogs que se encontravam em stand-by, mas hoje vou dar a receita da minha cabidela de frango.
Foi feita numa quinta de familiares onde me cruzei com alguns bichinhos simpáticos ( e que servem para se fazerem outros petiscos...) :












E digam lá se este não é mesmo fotogénico?










Passemos então à cabidela:

Fica melhor com franguinho ou galinha caseiros, mas pode usar-se um bom frango do campo, que já se vende acompanhado com a saqueta de sangue respectiva. As almas sensíveis que me perdoem!... De qualquer forma deixem-me dizer-lhes que cozinho e como a cabidela na maior, mas só desde que outro mate o bicho!
Depois de cortada a ave em pedaços, esfrega-se com vinagre, vinho verde branco e sal.
Fazer um refogado puxadinho de azeite e banha, juntar uma pitada de colorau, pimenta branca e salsa picada. Juntar e deixar estufar o(s) franganote(s). No caso eram três, porque éramos muitos a almoçar!
Quando estiver no ponto, se houver gordura a mais, tira-se o excesso e deixa-se apenas a que for conveniente para a calda do arroz. Isto dependerá um pouco do gosto pessoal de cada um...
Junta-se chouriço de carne e bocadinhos de presunto, se for bom.
Medir a quantidade de água necessária e juntar igualmente o sangue (1), de forma a que o arroz não venha a ficar excessivamente aguado. Eu uso normalmente 3 medidas de água para uma de arroz (carolino, neste tipo de receitas). Quando a calda levantar fervura, juntar o arroz e deixá-lo abrir sem empapar; rectificar os temperos e servir assim que ficar no ponto.

(1) O sangue aproveita-se aquando do abate da ave; para o conservar líquido junta-se-lhe um pouco de vinagre.

setembro 11, 2006

Há falta de novidades...

A nova cozinha vai ser estreada na semana que vem.
As minhas espreitadelas têm sido breves e feitas através de "soluções alternativas", visto que ainda não há net em casa, e mais: ainda não estou em casa!
Ficou por contar a história de uma cabidela feita nas férias, com 3 polhos da quinta de dois simpáticos primos, e que foi um sucesso.
Há também fotografias não publicadas da dita quinta, e de toda a criação que por lá há, desde cabras, porcos, patos, pombos... Ou seja, para os que me seguem, acho que descobri como fazer a tal chanfana de que aqui falei, lembram-se? ;)

Especialmente para a Elvira, que me desafiou:

CINCO COISAS PARA COMER ANTES DE MORRER

1- Uma bela lagosta suada num jantar romântico, vendo o mar como fundo e o céu estrelado. Acompanhada com um belo branco verde que a merecesse.

2 - Codornizes bravas estufadas a preceito com couve lombarda.

3 - Empanturrar-me de percebes e ameijoas pretas enormes, regadas a imperial.

4 - Comer um belo cabrito estonado à moda da Beira, de preferência preparado pela minha mãe.


5 - Um grande "pijama" de doces conventuais a transbordar de açucar e gemas de ovos, de todas as qualidades e feitios, porque quam vai morrer deixou de ter preocupações dietéticas!

Passo a batata quente à Mónica, ao Kuka, ao Chalabi e à Cristina, se quiserem responder, claro!

agosto 29, 2006

A minha cozinha está um caos... E uma sopa de garoupa


Quem costumava passar por cá diariamente à procura de novas experiências culinárias anda desiludido... dá com o mesmo "post" durante dias.
Ora isto tem uma explicação: estou em mudanças.
A minha cozinha já não é a minha cozinha, a maior parte dos equipamentos já viajou, e estou limitada ao estritamente necessário para sobreviver na "selva".
Por outro lado, o equipamento informático também está prestes a ser embalado...

Mas mesmo assim deu para fazer uma sopinha de garoupa, descomplicada e deliciosa!
Cá vai:

Utilizei uma cabeça da dita, que limpei e salguei.
Passada uma hora, cozi-a em água temperada com sal, cebola em pedaços, louro, alguns grãos de pimenta preta, cenoura e tomilho. Dez minutos em lume brando foram suficientes. Retirei-a da panela e coei o caldinho.

Fiz um refogado com cebola, azeite, alho e louro, a que juntei tomate pelado e picado, pimento cortado em pedacinhos, umas hastes de coentros e piripiri.
Apurou bem, e quando ficou no ponto, juntei o caldo do peixe.

Retirei as hastes de coentros e, quando levantou fervura, juntei uma mão-cheia de massa de cotovelinho. Provei, juntei um pouco de sal e pimenta e deixei a massa cozer em lume brando. Quando ficou macia juntei a carne do peixe, desfiada e limpa de espinhas.

Ao servir juntei uma folhinha de hortelã à tigela.
Depois do que, reconfortada, voltei às caixas e caixotes!...

agosto 25, 2006

Quiche de pimentos




Pimentinhos bons são o que não falta nesta época do ano, e eu que gosto tanto deles!
Os do quintal paterno que me vão chegando são gordos e carnudos, mesmo como eu gosto. Há que comê-los, e como não se fazem sardinhadas todos os dias, procurar novas formas de os utilizar. Esta receita saiu-me bem simpática!

Massa:
200 g de farinha
1 ovo
5 colheres de sopa de leite
80 g de manteiga fria
sal e pimenta

Recheio:
3 pimentos, se possível de cores diferentes
1 boa cebola
2 ou 3 dentes de alho
250 g de bom chouriço
3 colheres de sopa de azeite
temperos: cominhos, sal, pimenta preta acabada de moer

Creme:
200 g de natas
4 ovos
queijinho ralado
se tiverem, 1 ramo de cebolinho
pimenta, sal, noz moscada

Preparar a massa da forma habitual, deixar descansar no frio 1 quarto de hora e forrar com ela uma forma redonda. Picar a massa com um garfo e conservar no frio.

Alourar a cebola e o alho no azeite, juntar os pimentos cortados aos cubinhos e temperar. Deixar apurar tudo.
Misturar as natas com os ovos e o queijo, temperar, juntar o preparado de pimentos e o chouriço às rodelas.
Ditribuir o recheio sobre a massa e levar a forno bem quente durante cerca de quarenta minutos.

São mais as vozes que as nozes, é muito fácil de fazer. Boa quiche!

agosto 22, 2006

Tarte de manteiga e canela



Esta tarte dá um belo tabuleiro de bolo leve e macio...

Prepara-se a massa com:
400 grs de farinha
1.25dl de leite
40 grs de fermento de padeiro
100grs de açucar
150grs de manteiga
sal q.b.
raspa de limão

Numa tigela misturam-se os elementos secos. Dissolve-se o fermento no leite morno e junta-se à tigela. Amassa-se bem e junta-se a manteiga amolecida. Continua a amassar-se até incorporar bem toda a manteiga.
Forma-se uma bola com a massa e deixa-se levedar até duplicar de volume.
Depois, volta a amassar-se ligeiramente e estende-se sobre um tabuleiro previamente forrado com papel vegetal. Levanta-se ligeiramente a massa a toda a volta do tabuleiro, pica-se com um garfo fazem-se-lhe pequenas depressões com o dedo.

Pincela-se com 125 grs de mateiga derretida e cobre-se com uma mistura de 150 grs de açucar e uma colher de chá de canela.

Deixa-se repousar mais 15 minutos e leva-se ao forno bem quente. Se alourar muito antes de ficar cozida, cobrir com folha de alumínio.

Fantástica para o pequeno almoço!

agosto 17, 2006

Boas Notícias!

Do Diário Digital Sapo :

"Café Império volta a abrir portas na quarta-feira

Três meses depois de ter encerrado portas, por ordem da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), proprietária do imóvel, o Café Império foi devolvido, na última quarta-feira, aos lisboetas, com a promessa de abertura ao público já na próxima quarta-feira.
A notícia surge na edição desta quinta-feira do jornal Diário de Notícias, que recorda o edifício foi, entretanto, alvo de profundas obras de renovação, orçadas em 1,1 milhões de euros.

Aberto desde 1955 e um dos ex libris de Lisboa, o Café Império foi encerrado, pela IURD, numa medida que levou ao despedimento de 18 funcionários e provocou grande contestação popular, pelo receio que o histórico estabelecimento desse lugar a mais uma sala de culto daquela confissão religiosa, dona das instalações do antigo Cinema Império.

Um mês mais tarde, a IURD avançou com obras, entretanto embargadas pela Câmara de Lisboa, levando o proprietário a mudar de planos e a trespassar o café.

Desde Maio sob a gestão de Paulo Ribeiro, o espaço promete redinamizar a capital, atrair os turistas e promover o entrosamento das várias gerações.

Segundo o novo gerente do Café Império, o novo espaço vai ter um horário de funcionamento entre as 07.00 e as 2.00, o almoço será económico e servido num ambiente carregado de história, com o célebre bife à Império a manter-se na ementa.

O jantar, por sua vez, terá como acompanhamento música ambiente ou ao vivo, sendo que, a partir das 23.00, o restaurante transforma-se num bar nocturno, com uma tela de cinema.

O Café Império terá ainda um espaço reservado às crianças, outro para os mais jovens, com acesso à Internet, e um salão para casamentos e conferências."

agosto 10, 2006

Crepes de batata moscovitas



São uma maneira de usar as batatas de forma diferente.

Primeiro convidamos os amigos, depois para os fazer usamos:

1 batata cozida com pele
1 cebola
1 ovo
2 colheres de sobremesa de natas
sal q.b.; pimenta (facultativo)
750 g de batatas (de preferência farinhentas)

Descascar a batata cozida e reduzi-la a puré. Juntar a cebola moída, misturar o ovo, as natas e o sal.
Descascar as batatas restantes e ralá-las. Misturar com o puré.

Colocar uma frigideira ao lume com duas colheres de sopa de óleo e deixar aquecer moderadamente, para não fazer fumo... Deitar 3 porções de massa na frigideira de cada vez e achatar (ficam + ou- com o tamanho da palma da mão). Deixar cozer em lume brando durante 3 a 4 minutos e virar os crepes. Repetir até esgotar a massa.

Servem-se quentes com fatias finas de salmão fumado ou marinado, e vão bem com um bom espumante português.

agosto 09, 2006

Bifes


É raro, mas de vez em quando dão-me umas súbitas vontades de comer um bom bife.
E digo que é raro porque eu gosto mesmo muito é de peixinho, e porque se a carne não for de muito boa qualidade os bifes acabam tipo sola-de-sapato, por mais caros que se comprem, e isso irrita-me muito.

Quando me dão estes apetites e apanho uns bifinhos a jeito, normalmente "trato-os" segundo a tradição da Ilha de São Miguel, simples e deliciosa. Experimentem!

Esmagam-se uns dentes de alho com um pouco de massa de malagueta e barram-se os bifes, que depois se deixam a descansar por meia a uma horita.

Derrete-se a manteiga necessária para cobrir o fundo da frigideira (usar mesmo manteiga!) e juntar-lhe uma folhinha de louro. Fritar os bifes em lume não muito forte, virando-os, e temperar de sal e pimenta moída na altura. Eu gosto (e acho que ficam muito bem) meio-passados.

Retirá-los para o prato de serviço e juntar um pouco de vinho branco aos sucos da frigideira. Deixar apurar e verter o molho por cima dos bifes.

Regalar-se com eles e um bom prato de batatas fritas, que é só de vez em quando!...

Outra forma de satisfazer a gulodice era ir até ao "Império", ali ao pé da Alameda... mas fechou, e é pena!
Sobra-nos o Tico-Tico, menos mal.

agosto 08, 2006

Carrot Cake (EUA)


A Pascale Weeks, autora de um dos blogs de culinária franceses de que mais gosto, publicou este livrinho, que fizeram o favor de me oferecer.

É pequenino, cabe na palma da mão, e tem receitas fantásticas. Não tem fotografias, mas a Pascale vai compondo o "making-off" do livro com as que lhe enviam todos aqueles que as experimentam.

As receitas são todas inglesas e americanas, pois o objectivo do livrinho é mesmo esse: dar a conhecer as guloseimas do lado de lá do Atlântico.

Já o li todo, e já fiz o bolo de cenoura (carrot cake), que ficou uma delícia.

A receita, com pequenas alterações feitas por mim:

280 g de farinha c/ fermento
300 grs de açucar
1 colher de chá de fermento em pó
200 ml de óleo de girassol (a receita diz 250 mas eu cortei um bocadinho)
280 grs de cenoura ralada, crua
4 ovos
1 pitada de sal (omitida na receita)
1 colher de café de canela
1 colher de café de gengibre em pó
1 pacote de açucar baunilhado

Numa tigela grande mistura-se o açucar, a farinha, o fermento, o sal e as especiarias. Junta-se o óleo e envolve-se bem, junta-se a cenoura ralada e os ovos, um a um, mexendo bem entre cada adição. Coze em forno aquecido a 280ºC, durante cerca de 45 minutos. Desenforma-se depois de morno.

O bolo fica húmido e fofinho, e mantém-se assim por vários dias.

Para uma ocasião mais especial, cubram com queijo creme batido com açucar em pó a gosto e uma gotas de sumo de limão.



A foto é a da Pascale, porque deixei o telemóvel com que tiro as minhas fotos às minhas filhotas, que continuam de férias. Por sinal tenho lá algumas guardadas que vou partilhar convosco logo que elas regressem...

agosto 07, 2006

De volta

Olá a todos! Estou de regresso.
Obrigada pelos votos de boas férias que aqui deixaram, eu também já tinha muitas saudades da blogosfera.
Ainda não me meti a sério com os tachos, tenho estado a pôr a leitura dos vossos blogs em dia, mas em breve haverá novidades...

julho 14, 2006

Enfim... Férias!!



Vai haver um interregno no bloguito por motivo de férias...
A todos, bons cozinhados!

Polvo à moda de São Miguel


Há quem o coza com uma rolha de cortiça, quem o bata com um maço de madeira... Para mim a melhor forma de amaciar o polvo é congelá-lo antes de o cozinhar. Não perde nada.
Para um polvo com 2 quilos:

Cortar o bicho em pedaços pequenos e fazer um refogado com 3 cebolas, 3 dentes de alho, 1,5 dl de azeite, uma folha de louro, um ramo de salsa (inteiro), um pouco de massa de malagueta, sal, pimenta preta e cravinho. Pode-se juntar o polvo logo no início ou um pouco depois, com a cebola já loura.

Deixar reduzir um pouco a água que o polvo larga e cobrir com vinho de cheiro açoreano, se tiverem (é o chamado morangueiro). Se não, o mais apropriado será um vinho verde tinto. Deixar apurar bem, juntando um pouco de água se necessário.

Vigiem o fogo, porque muitas vezes o que torna o polvo duro é o excesso de cozedura. 45 minutos devem bastar para o cozer. Se acharem que este tempo é insuficiente para apurar o molho, retirem o polvo e deixem apurar, voltando a juntá-lo no final.

Há quem junte batatas aos cubos e a guise no molho, mas pessoalmente acho que fica muito melhor com as batatas cozidas à parte.
Faz sempre sucesso este prato, que também pode ser servido como entrada.

*Mais uma excelente receita do prof. João vasconcelos Costa

julho 11, 2006

Maroilles

Este post é só para quem realmente gosta de queijo...

De queijos franceses muito se fala do camembert, do brie, do roquefort... Deixem-me dizer que gosto de todos.

Mas há um... não lhes digo nem lhes conto. Este tem um poder mágico: metam um num saco de mão, entrem numa carruagem cheia de gente sem lugar para se sentarem e vão ver: a carruagem esvazia completamente! Ficam com ela toda só para vocês! Percebem o que quero dizer? Ainda chamam ao nosso inocente queijo picante o "queijo chulé"! Um anjo de candura, ao pé deste! Tem ainda a particularidade de ser quadrado.

Bom, brincadeiras à parte, o maroilles, assim se chama, é delicioso para quem goste de queijo.



A foto é daqui.

Se tiverem a sorte de apanhar um, ou que alguém vo-lo traga de França, experimentem fazer assim uma tarte:

Preparem uma simples massa quebrada e forrem com ela uma tarteira. Cubram-na com fatias do queijo pecaminoso. Vertam por cima uma mistura feita com:

2.5 dl de leite
2.5 dl de natas
1 ovo
sal e pimenta

Levem ao forno até ficar douradinha e regalem-se.

Se não conseguirem o maroilles não faz mal: arranjem um amarelo da Beira Baixa, ainda amanteigado e preparem a tarte da mesma forma.

Em Portugal, tão pequenino, em termos de queijo havemos sempre de achar um que substitua qualquer outro, estrangeiro, numa boa receita.

Aceito outras sugestões...

Fruta em geleia de chá



Deixo hoje a sugestão de uma sobremesa fresquinha, que se pode tornar light - boas notícias para os adeptos das dietas!
A mim este facto interessa-me sobretudo porque tenho um maninho diabético para o qual muitas vezes "invento" ou "recrio" as sobremesas, eliminando o açucar.

Precisam de :

5 folhas de gelatina
3 colheres de sopa de chá preto (eu gosto do Earl Grey)
100 g de açucar ou 1 colher de sopa de hermesetas líquidas
4 colheres de sopa de sumo de limão
350 g de fruta variada a gosto (banana, uvas, morangos, manga, ananás em calda...)
2 raminhos de erva cidreira, se tiverem
natas e açucar baunilhado

Façam primeiro o chá, colocando-o no bule e juntando 7,5 dl de água a ferver. Deixar em infusão durante alguns minutos, coar, juntar-lhe a gelatina demolhada e escorrida, o açucar (ou as hermesetas líquidas) e o sumo de limão. Mexer bem e deixar arrefecer.

Preparem a fruta, lavando, descascando e cortando, como se fosse para salada de frutas, e piquem as folhinhas de cidreira. Distribuam por quatro tigelas de sobremesa e reguem com o chá. Levem ao frigorífico para endurecer.
Sirvam com natas batidas em chantilly com o açucar baunilhado.

Nota:
Não se esqueçam que o ananás fresco fresco impede a gelatina de solidificar, por isso é proibido usá-lo nesta receita, a menos que o cozam previamente numa calda leve de açucar. Em alternativa usar ananás de conserva, como indiquei.

julho 10, 2006

Costeletas de borrego com molho de hortelã



Há dias andava por aí uma leitora à procura de um molho de hortelã para as costeletas de borrego.
Hortelã e borrego definitivamente combinam!
Tinha esta receita, que resolvi experimentar. É fácil e ficou deliciosa, por isso, se passar por aí já sabe...

Põem-se as costeletas de borrego a temperar, com: alho pisado, sal, pimenta preta e cravinho.
Ao fim de duas horitas fritam-se em azeite e reservam-se ao quentinho.
Faz-se entretanto uma redução (quer dizer, juntar tudo, levar ao lume e deixar reduzir até metade...) com um copo de vinho branco, 3 colheres de sopa de vinagre e um ramo de hortelã picada.
Leva-se ao lume o azeite de fritar as costeletas, polvilha-se com meia colher de sopa de farinha, vai-se juntando a redução (coada) e deixa-se engrossar o molho, juntando eventualmente um pouco de água, se necessário. Rectificar os temperos.
Cobrem-se as costeletas com o molho e servem-se com batatinhas.

julho 06, 2006

Queijo picante



Queijo picante da Beira Baixa D.O.P.
Também lhe chamamos por lá "queijo queimoso".
Conhecem, claro...

Coisas simples

Ontem à noite fiquei muito triste por o Ricardo não ter defendido o penalty, e hoje sinto-me nostálgica. É uma faceta da minha natureza.
Quando era pequena e me sentia assim saía de casa e dava longos passeios a pé pelos pinhais, pela quinta do avô João; sentava-me nalguma rocha à beira do ribeiro e ficava a ver as evoluções da água a descer pelas poldras e o canto dos pássaros na copa dos pinheiros devolvia-me a paz.
Hoje não posso fazer isso, mas posso recordar e escrever aqui da frugalidade e das coisas simples que rodearam a minha infância, simples como aquele avô, que era tímido, que trabalhava muito e sabia todos os segredos do tempo e das sementeiras, e que nunca conheceu mundo.

Lembro-me que gostava muito de queijo picante, e que não havia Natal em que não reclamasse a sua açorda de feijão com cominhos.
A minha mãe, citadina, aprendeu como se fazia para o presentear, e hoje não há Natal em que não a partilhemos na consoada, em memória dele.
Para nós no Natal pode haver bacalhau, filhozes, sonhos... se não houver a açorda, não é Natal.

Mas como estamos em Julho, vou deixar aqui a receita de "migas de tomate" da minha mãe, também lendária, e que as minhas filhas acham que eu nunca faço como ela!

Cobrir o fundo de um tacho com azeite e cortar lá para dentro cebola às rodelas finas e tomate, limpo de peles e sementes, cortado aos bocados, mais uns dentes de alho picados e uma folha de louro. Deixa-se refogar um pouco, para desfazer o tomate, adiciona-se a água suficiente para as "migas"e deixa-se ferver para apurar. Corta-se o pão às fatias finas, deita-se no tacho e deixa-se abeberar bem e apurar. Tempera-se com sal e pimenta.
Quem gostar pode juntar ovos batidos, misturando tudo muito bem, coisa que ela quase nunca faz, pois gosta de servi-la só assim, com peixe frito.

Outra forma típica de a preparar naquela zona consiste em juntar à cebola e ao tomate, enquanto refogam, uma posta de bacalhau limpa de peles e espinhas. Para além disso o método de preparação mantém-se o mesmo. Neste caso constitui quase sempre um prato completo.

Podem ainda salpicá-la com salsa ou coentros picados.

julho 05, 2006

Caviar... de beringelas

Podem chamar-lhe caviar, pâté, dip... tanto faz. É uma maneira de utilizar as simpáticas beringelas como entrada.

Escolham-nas lisas e brilhantes, maduras, e não muito grandes, porque podem ser esponjosas.

Lavem-nas, piquem-nas (coitadinhas!) com um garfo ou um palito e levem-nas a assar no forno.

Depois de assadas cortem-nas ao meio e retirem toda a polpa com uma colher.

No copo misturador ou no robot juntem-nas a alhos descascados, azeitinho bom, sumo de limão e coentros picados. Temperem com sal e pimenta e reduzam tudo a puré.

Sirvam fresquinho com tostas e bolachinhas salgadas...

Se o tempo escassear, assem-nas num pirex no microondas; o resultado é idêntico, e muito mais rápido.

Se assarem também uns tomatinhos com orégãos e azeite, têm as cores da bandeira nacional na mesa!

Aparte:
Quero saudar a postura humilde e dedicada dos nossos jogadores da selecção. Estarei a torcer por eles hoje, como todos os portugueses. Não são favoritos, não faz mal; nunca foram e chegaram até aqui.
Quer ganhem quer percam (ouxalá que não, para nossa maior alegria) terão sempre a minha simpatia.

julho 04, 2006

Mini-pizzas de courgette e camarão


Gosto de fazer massas levedadas e por isso costumo preparar eu mesma as pizas cá em casa.
Gostei desta receita, que associa dois ingredientes que não é muito comum ver juntos.

Podem fazê-las para petiscar durante o jogo Portugal - França, para comemorar a vitória!...

Em vez das pequeninas também podem fazer uma grande, evidentemente.

Para a massa:
250 g de farinha
10 g de fermento de padeiro
1 pitada de açucar (o fermeno alimenta-se dele por isso junto sempre um bocadinho)
1, 25 dl de água morna
1 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite

Para o recheio:
250 g de courgette
1 cebola pequena
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de natas
sal, pimenta, noz moscada
tomilho ou orégãos a gosto
1 fio de sumo de limão
150 g de camarões descascados
100 g de queijo emmental ralado

Coloca-se a farinha numa tigela e abre-se uma cova; desfaz-se o fermento num pouco de água morna e junta-se a pitada de açucar. Verte-se na cova da farinha. Deixa-se repousar durante uns 15 minutos até o fermento começar a borbular. Nessa altura junta-se o resto da água, o sal e o azeite e amassa-se até descolar da tigela. Polvilha-se com farinha e deixa-se levedar, coberta, até duplicar de volume.

Enquanto isso, raspem 2/3 das courgettes e cortem a restante às rodelas.
Alourem a cebola na manteiga e juntem a courgette raspada; deixem cozer 3 minutinhos.
Misturar as natas e temperar com o sal, pimenta, noz moscada e tomilho ou orégãos, e umas gotas de sumo de limão.

Estende-se a massa, deixa-se o rebordo um pouco mais grosso, cobre-se com o recheio e algumas rodelas de courgette, e dispõem-se por cima os camarões e o queijo.

Levam-se a forno médio durante uns 15 minutos, e comem-se quentinhas, acabadas de sair de lá!

julho 03, 2006

Carne em vinha-de-alhos, guisada

Faço muitas vezes a carne assim, já a via fazer à minha mãe, e mantenho a tradição.
Fica com um gostinho bem português, ainda que não seja uma receita requintada para servir numa festa, mas daquelas domésticas, do dia a dia...

Para a vinha-de-alhos uso: alho esmagado, louro, sal e pimenta (em grão), um pouco de piri-piri, vinho branco, um pouco de vinagre e um gole de água, um ramo de cheiros.

Põe-se a marinar a carne cortada aos cubos (pode ser de vaca ou porco) de véspera.
No dia seguinte escorre-se e aloura-se num pouco de banha ou margarina, e retira-se do tacho.
Na gordura refoga-se cebola picada, polvilha-se com um pouco de farinha e vai-se juntando o líquido da marinada e caldo de carne aos poucos, para fazer molho.
Junta-se a carne, e deixa-se cozer suavemente em lume brando, até ficar macia.
Servir com acompanhamentos simples, como batatas salteadas ou em puré, ou arroz branco.

junho 30, 2006

Bom Bocado



Foi uma das minhas meninas que o fez, e ficou muito bom!

Compram uma base de massa folhada, daquelas prontas a desenrolar sobre a tarteira, e fazem assim o creme:

5 dl de leite

275 g de açúcar

35 g farinha sem fermento

sal q.b.

1 colher sobremesa de margarina

5 gemas + 1 ovo

Colocar o leite ao lume com a margarina; misturar a farinha com o açúcar e sal. Quando o leite levantar fervura adicionar a mistura mexendo muito bem. Retirar do lume e deixar arrefecer um pouco. Adicionar o ovo e gemas, batendo. Aromatizar com baunilha ou limão.

Verter na tarteira e levar a cozer em forno bem quente até ficar lourinho (o nosso podia ter ficado um bocadinho mais queimadinho...)

Também podem fazer os pastelinhos pequeninos, claro, ou usar massa quebrada em vez de folhada.

Uma receita fora de moda


Ovos à la tripe

Já por cá falei de ovos e citei esta receita, sem a postar.
É uma receita clássica.
Deixo-a aqui, para quem quiser experimentar. Eu gosto muito.

Então, primeiro cozem 6 os ovos em água a que juntaram um pouco de sal grosso ou vinagre. Eu uso sempre água fria à partida, para não rebentarem. Se estalarem, o sal ou o vinagre evita que se esvaziem, porque aceleram a coagulação.
Quando começarem a ferver, contem 7 a 10 minutos e passem-nos por água fria, para os descascar.

Cortem duas cebolas macias às rodelas finas e estufem suavemente em manteiga, em lume brando, com o tacho tapado. Não se pretende que corem nem refoguem; só que cozam.
Quando estiverem translúcidas, polvilhem com uma colher de sopa de farinha e deixem cozer um bocadinho. Reguem com 6 dl de leite quente e deixem cozer o creme em lume brando durante pelo menos 1/4 de hora.

A meio desse tempo temperem com sal, pimenta, noz moscada. Quando retirarem do lume juntem uma colher de sobremesa de boa mostarda e um fio de sumo de limão.

Cortam-se os ovos em gomos e introduzem-se no molho (na foto deixei-os à superfície). Servem-se com triângulos de pão torrado.

Podem polvilhar-se com queijo gruyère ou parmigiano e levar a gratinar em forno quente.

Eu guardo esta última versão para o inverno; no Verão sirvo-os com uma salada verde (alface, rúcula, agrião...).

Espero que gostem.


Receita de Mª Lurdes Modesto

junho 29, 2006

Grande petisco!

Uma receita do João vasconcelos Costa, de se lamber os dedos!

Refoga-se alho francês às rodelas (a parte branca) e dentes de alho pisados e picados; juntam-se duas colheres de coentros picados, vinho branco e mostarda, 1,5 Kg de mexilhão bem limpo, e tempera-se tudo com sal, pimenta e colorau. Deixa-se cozer e retiram-se os mexilhões.
Coa-se o molho, espremendo bem os resíduos, deixa-se engrossar em lume brando com duas gemas de ovo diluídas em sumo de limão, mexendo sempre e deixando ferver suavemente durante 1 minuto ou 2.

Colocar os mexilhões no molho e polvilhar com mais coentros picados.

Quem é amiga, quem é?

Pode fazer-se também com amêijoas.

junho 28, 2006

Biscoitos de Côco



Esta receita é dedicada à Mónica.

É uma boa receita para aproveitar as claras de ovos que sobram de outras preparações e dá uns simpáticos biscoitinhos, muito apreciados cá em casa. Faço-os muitas vezes.

A base a respeitar é a seguinte:

Por cada clara de ovo, utilizar 50 g de açucar e outro tanto de côco ralado, e um nada de farinha: 1 colher de chá.

Deste modo, se lhes sobraram por exemplo

4 claras
200 grs de açucar
200 a 250 g de côco ralado
1 colher de sopa de farinha
1 pitada de sal


Batem-se as claras a meio castelo, com uma pitada de sal, e junta-se o açucar. Continua a bater-se a mistura até se obter um merengue espesso e brilhante. Junta-se o côco misturado com a farinha e envolve-se bem, com as mãos ou com a colher de pau. A mistura deve permitir que se moldem bolinhas com o preparado, e que elas se sustentem, por isso a quantidade de côco pode ser um pouco variável consoante seja mais ou menos húmido, etc.

Dispõem-se as bolinhas num tabuleiro revestido com papel vegetal, a espaços. Não alastram muito. Sobre cada bolinha coloca-se meia cereja em calda e achata-se ligeiramente. Levam-se ao forno quente durante uns 15 minutos (até ficarem lourinhos).

Não há mais fácil, e vão ver que valem muito a pena. Às vezes moldo-os com duas colheres de sobremesa, como se faz para os pastéis de bacalhau!...

junho 27, 2006

Pastéis de Vinho



A receita de hoje é uma das minhas jóias da coroa...
E é... da tia Irene, que já aqui apresentei!
Quando faz uma visitinha a alguém, a tia traz sempre com ela uma qualquer delícia e depois dá-nos a receita. Sim, que ela nunca seguiu aquela regra antipática de se fazer rogada com as receitas ou esconder o truquezinho que faz a diferença, tão irritante. E depois, lá diz o provérbio, quem tem unhas é que toca guitarra...

Tenho outras receitas de pastéis de forno, também dela, mas esta é a minha preferida, para além de ser a mais fácil, porque dispensa longos processos de amassar.
Também gosto muito de pastéis de massa tenra, mas por causa da trabalheira com a massa e por serem fritos, faço-os menos vezes.

Ora então :

Primeiro fazem uma carne estufada a preceito, com nem muito nem pouco molho; picam no robot ou na máquina de passar carne e obtêm um preparado untuoso, não deixem seco demais.
Eu prefiro cozinhar a carne aos quadradinhos e passá-la depois; comprar carne já picada para esta receita não gosto.
Se vos sobrou carne de um qualquer guisado, também serve.

Coloquem numa tijela grande duas chávenas de chá de farinha,
meia chávena de óleo ou azeite
meia chávena de vinho branco bom
sal (uma colher de chá cheia) e pimenta preta moída.

Misturem tudo com a colher de pau; forma rapidamente uma bola. Dêem 2 ou 3 amassadelas com a mão e atirem a massa ao fundo da tigela 2 ou 3 vezes. Já está. Se estavam irritados, atirar a massa descarregou a fúria!

Ponham no frigorífico enquanto preparam a superfície de trabalho: polvilham com farinha, vão buscar o rolo e o corta-massas.

Esta massa não se pega às mãos mas é relativamente mole, por isso não se estende muito fina, 3 ou 4mm de espessura. Não é muito fácil de trabalhar, mas é só dar-lhe o jeito. Eu perdoo-lhe do coração, porque depois de cozida fica estaladiça e friável, para além de se manter muito bem por muito tempo (o que quase nunca acontece, porque estes pastéis voam num instante!)

Estendem, colocam uma boa colher de sobremesa de recheio a intervalos certos, dobram e cortam os pastéis do feitio que quiserem (rectangulares, redondos...)










Coloquem num tabuleiro forrado com papel vegetal e pincelem com ovo batido.










Levem a forno quente até ficarem lourinhos e deliciem-se!

junho 26, 2006

Creme Inglês



O creme inglês, muito semelhante a um bom leite creme português, pode servir de base a inúmeras receitas : gelados, bavaroises, charlottes...

A última vez que o fiz utilizei-o para fazer gelado.
Como não tenho sorveteira, tive que bater o gelado por 3 ou 4 vezes, de hora a hora, enquanto ia prendendo no congelador.
Pode parecer um pouco maçador, mas é só não nos esquecermos, e utilizar a vara de arames durante alguns minutos.

Para o fazer:

Coze-se uma vagem de baunilha num litro de leite. Tira-se a baunilha e reserva-se.
Batemos 200 a 250 g de açucar com 10 gemas de ovos (!) e juntamos um pouco de leite. Mexemos bem e juntamos a mistura no tacho, ao resto do leite. Leva-se a lume brando mexendo constantemente até espessar. É preciso ter cuidado com a temperatura e o tempo de cozedura; quando o creme envolver a colher a colher está pronto. Se o deixarem cozer demais ainda têm a hipótese de o passar com a varinha...

Bom, feito isto, têm inúmeras hipóteses:

Vertem em tacinhas, deixam arrefecer, polvilham com açucar e queimam com ferro próprio - obtêm um fantástico leite creme;

Deixam arrefecer, juntam 2 pacotes de natas bem batidas e levam ao congelador ou colocam na sorveteira - fazem gelado (se não tiverem sorveteira têm que ir batendo o gelado à medida que vai cristalizando);

Juntam ao creme bem quente 4 folhas de gelatina demolhada, esperam arrefecer e juntam natas batidas, 2 ou 3 pêras cozidas em xarope de açucar ou de conserva cortadas aos pedacinhos, forram uma forma de charlotte com palitos la reine , e vertem-lhe dentro a mistura - depois de algumas horas no frigorífico desenformam e têm uma estupenda charlotte.

Espero que tenham sido boas sugestões!

junho 24, 2006

Talassas



Quando as minhas filhas eram pequeninas, tinha um aparelho eléctrico para as fazer em forma de corações. Para além de adorarem comê-las, achavam graça à forma com que ficavam. Depois aquele aparelho rendeu a alma e acabaram-se os corações...

Para miúdos e graúdos gulosos, ao pequeno almoço ou ao lanche:

Peneirar 250 grs de farinha, com uma colher de sobremesa de fermento em pó, 25 grs de açucar e uma pitada de sal, para dentro de uma tigela grande. Abrir uma cova e juntar 3 ovos ligeiramente batidos. Misturar, do centro para o bordo, incorporando lentamente a farinha.
Este procedimento evita a formação de grumos.
Ir adicionando 4 dl de leite, aos poucos, até obter massa fluida e lisa. Juntar 75grs de manteiga derretida, fria.
Deixar repousar a massa no frigorífico durante 1 a 2 horas.

Passado esse tempo, aquecer o aparelho eléctrico,pincelar com manteiga derretida e verter um pouco de massa em cada alvéolo, de forma a cobri-lo. Deixar inchar ligeiramente a massa antes de fechar o aparelho. Fechar, e ir controlando a cozedura a olho. Quando estiverem douradas, estão prontas.

A minha mãe, que me ensinou a fazê-las, tem um acessório que se coloca em cima da chama do fogão, e com o qual, nas primeiras vezes que o utilizei, fiz sujeiradas medonhas! Ela ia-se embora para não ver o estado do seu rico fogão e eu prometia e limpava tudo no final... Mas com a evolução da tecnologia acabaram-se esses problemas!

Podem servir-se ao natural, polvilhadas com açucar em pó ou cobertas com doce ou chocolate e... adeus linha!

junho 23, 2006

Feijocas

Está muito calor para comidas pesadas, mas não resisto a mostra-vos o feijão gigante a que na Covilhã chamamos feijocas, e que se calhar nem todos conhecem.
Por acaso não é difícil encontrá-lo por cá. Será que já se cruzaram com ele e por não fazer parte do vosso "imaginário" culinário nunca o compraram?
Se foi o caso, da próxima vez experimentem. Trata-se da mesma forma que outro feijão seco qualquer: põe-se de molho de um dia para o outro e coze-se com sal, azeite, uma cebola, eventualmente uma cenoura...

Aqui, acabado de cozer (vejam o tamanho em relação à concha da sopa...):















E aqui, "tratado" numa tomatada, a que juntei um chouriço beirão:


junho 22, 2006

Bolo de limão



Deveria ter sido uma tarte, mas como a quantidade de massa é apreciável, para ficar uma tarte devia ter usado um tabuleiro maior, de forma a espalhar mais a massa de manteiga e o bolo ficar mais baixinho. É pois uma super-tarte, rende muitos quadradinhos...

A receita:

1 placa de massa folhada de compra
3 limões
200g de farinha para bolos
200g de maisena (acho que com apenas 150g, ficará bem, da próxima vez experimento)
340g de manteiga amolecida
300g de açucar em pó
1 pitada de sal
5 ovos
1 colher de sobremesa de fermento

Para a glace:
1 limão
200g de açucar em pó (usei só metade...)
1 colher de sobremesa de clara de ovo (que roubam aos 5 ovos da receita)

Primeiro estende-se a massa folhada e coloca-se no tabuleiro, previamente forrado com papel vegetal.
Calca-se bem e pica-se com um garfo, para não enfolar durante a cozedura. Reserva-se o tabuleiro no frigorífico.

Numa tijela misturam-se as farinhas e o fermento.
Tira-se a raspa a dois limões (bem lavados) e espreme-se o sumo.
Noutra tijela coloca-se a manteiga, o açucar, o sal e os ovos (não esquecer de "roubar" uma colherita de clara de ovo).
(Pôr o forno a aquecer)
Misturar tudo com a batedeira até fazer espuma.

Juntar a mistura das duas tigelas e cobrir a massa folhada do tabuleiro com este preparado. Cozer durante 30 minutos e verificar se o bolo está pronto, espetando-lhe um palito.

Para a glace, tirar a raspa e espremer o 3º limão. Misturar com açucar em pó e com a clara de ovo reservada. Bater bem e pincelar sobre o bolo, depois de frio.

Quem gostar muito de limão, vai adorar!

junho 21, 2006

Crepes de camarão

Costumo fazer crepes, quer doces quer salgados. Estes podem ser servidos como entrada, ou como refeição ligeira.

Com a prática deixei de utilizar qualquer receita para os fazer, faço a massa "a olho". Aliás, quase só sigo receitas cuidadosamente quanto se trata de bolos e doces, porque aí é importante manter as proporções!

Para as outras, leio, concentro-me na técnica, e ponho em prática sem ligar muito a pesos e medidas. Já são alguns anos de experiência!

Mas compreendo que por vezes este meu "modus operandi" pode ser embaraçante para quem começa nestas lides, por isso :

Para os crepes:
200g de farinha
4 ovos
1 colher de sopa de azeite, óleo ou margarina derretida
1/4 L de leite
sal q.b.

Numa tigela misturar muito bem com a vara de arames a farinha de trigo com os ovos e uma pitada de sal.
Em seguida, juntar o leite aos poucos, mexendo bem para não deixar grumos.
Mexendo sempre, adicionar o azeite, ou o óleo, ou a margarina derretida (escolher a gordura que combine melhor com o recheio...). Deixar repousar um pouco a massa.

Aquecer uma frigideira para crepes, levemente untada com óleo.
Deitar nela uma pequena quantidade de massa a cobrir o fundo e espalhar rapidamente para ficar uma camada fina. Quando estiver cozido desse lado, virar o crepe ao contrário.
Proceder da mesma forma até esgotar a massa.

O recheio:
Cozer e descascar os camarões. Não esquecer que os camarões cozem muito rapidamente (cerca de 3 minutos depois de levantarem fervura) e devem ser arrefecidos de imediato, senão ficam secos e/ou moles!
Pisar as cascas e as cabeças e levar a refogar com 1 cebola e um pouco de margarina.
Cobrem-se com água e deixa-se ferver, para apurar bem.

Entretanto pica-se a cebola muito fina e leva-se a alourar com margarina.
Polvilha-se com farinha, deixa-se cozer um pouco e rega-se com leite e o caldo obtido da cozedura dos camarões, coado (até obter cerca de 2 dl de molho).
Deixa-se cozer o creme, para espessar e cozer bem a farinha.
Tempera-se com sal, pimenta e sumo de limão e adicionam-se 2 gemas.
Junta-se um pouco de salsa picada, e deixa-se arrefecer antes de utilizar.

Quando frio, misturam-se os camarões descascados no creme, coloca-se um pouco sobre cada crepe, dobram-se as pontas dos lados e enrolam-se.

Passam-se por ovo e pão ralado e levam-se a fritar.


Ei-los, prontos a panar e fritar:


junho 19, 2006

Millasson


Uma sobremesa rústica francesa, da região do Languedoc, muito fácil de preparar.
Fez-me lembrar um pouco as nossas queijadas de leite.

Usamos:
3 ovos
125 g de açucar
125 g de farinha para bolos
1/2 l de leite
uma pitada sal
aroma a gosto (baunilha, flor de laranjeira, raspa de limão...)

É só bater muito bem os ovos com o açucar, até duplicarem de volume, juntar a farinha peneirada, o sal, o aroma escolhido, e distender a massa com o leite.

Verter numa tarteira bem untada com manteiga e levar ao forno até ficar lourinho. Não deixar cozer demais!










Receita de Tuyau de Poêle!

Batatas

Uma coisa boa que têm os blogs é que nos dão muitas ideias!
Quando chega a hora do jantar e não há nada definido para preparar, basta relembrar as visitas do dia à blogolândia que logo nos ocorre qualquer coisa.

Foi o que fiz um dia destes, lembrei-me das receitas de batatas publicadas em Ardeu a Padaria, e eis o que saiu:



Croquetes de batata com queijo e "hamburgueres" de batata com atum.
Ficaram todos bons, e ainda não decidi de quais gosto mais.

Quanto ao tamanho das bolinhas com queijo, acho que fui um pouco generosa ...

As minha filhas gostaram muito e ficaram felizes por o jantar não incluir carne, porque andam assim "meio" vegetarianas!

Obrigado por ter partilhado estas receitas.

Filetes de peixe

Vou deixar aqui duas receitas de filetes de peixe muito simples, porque as coisas simples são as melhores...

A primeira é grega e utiliza filetes de cavala, um peixe relativamente barato e muitas vezes injustamente menosprezado.



Mais simples não pode haver:

Com uma faca apropriada cortar as cavalas e recuperar os filetes. Deixá-los a marinar em azeite e bom vinagre durante algumas horas, e depois grelhar no carvão, com uma pitada de sal, regando de vez em quando com a marinada. Mais nada!...

Agora uma receita italiana, filetes de peixe com beringelas, que fica muito bem com filetes de peixe de água doce, mas que pode ser feita com quaisquer outros:

Cortar as beringelas em fatias, no sentido do comprimento, envolvê-las em farinha e ovo batido e fritá-las em azeite até ficarem douradinhas.



Fritar igualmente os filetes, depois de terem marinado pelo menos uma hora em azeite, sumo de limão, sal e pimenta. Deixá-los cozer sem tostar.

Colocar os filetes sobre as fatias de beringela e cobrir com o seguinte molho:

Ferver alguns alhos pisados durante minutos em pouca água, desfazê-los em puré e incorporar em manteiga amolecida.

Espero que tenham sido duas boas sugestões para servir peixinho, tão bom para a saúde!

junho 16, 2006

Churros



Do que eu gosto mesmo é de farturas, mas o meu saco de pasteleiro só me permite fazer churros. Mesmo assim fizeram a nossa felicidade.

O ideal é ter uma máquina própria para os fazer, que até nem é cara e também serve para outras utilizações "pasteleiras". A minha mãe tem uma que não usa; da próxima vez que a for visitar acho que lha vou pedir...

Há receitas com muitas versões, com manteiga ou margarina, com ovos...
Mas as farturas e churros são um doce de feira e, genuínas, só levam farinha, água e sal.

Fazem-se assim:

Enche-se uma tigela bem cheia de farinha e deita-se no recipiente onde se vai preparar a massa;
Enche-se a mesma tigela de água e leva-se a ferver, com uma pitada de sal.

Quando a água atingir o ponto de ebulição, verte-se por cima da farinha, mexendo energicamente com a colher de pau. A massa deve ficar homogénea e sem grumos.

Enche-se o saco de pasteleiro ou a máquina própria com a massa e formam-se os churros para dentro da frigideira, com o óleo já quente. Pode fazer-se uma espiral que se corta depois de frita ou ir cortando os churros à medida que se vão formando. Eu prefiro a 1ª versão.

O óleo tem que permitir que os churros cozam por dentro sem se queimarem, por isso têm que ir vigiando a temperatura.

Saídos da frigideira envolvem-se em açucar misturado com canela.

Nota: não tenham a tentação de juntar mais água à massa por parecer muito consistente, senão ao fritar vão-se desmanchar. Nesse caso mais vale juntar um ovo à massa e incorporá-lo bem.

Arroz de Pimentos



Como já disse por aqui, adoro arroz, o que equivale a dizer que o cozinho muitas vezes. Por isso, procuro variar muito os "arrozes".
Provavelmente vão achar que não valia a pena postar esta receita, mas faço-o porque às vezes há coisas tão simples e boas, e esquecemo-nos delas, não é?

Para o arroz de pimentos:

Fazer um refogado com cebola, alho e azeite. Juntar os pimentos cortados às tirinhas e deixá-los estufar um pouco. Quando estiverem macios, juntar caldo de legumes (no dobro da quantidade do arroz que se vai usar)e deixar levantar fervura. Juntar o arroz lavado e escorrido e rectificar de sal e pimenta. Quando recomeçar a borbulhar, tapar o tacho e deixar cozer em lume brando. Para o meu tachinho, 5 minutos, mais cinco minutos de repouso com o lume já apagado e o tacho tapado.
Antes de servir, soltar o arroz com um garfo, porque entretanto os pimentinhos vieram todos ao de cima...
A este juntei uma pitada de açafrão das índias, para dar cor.

Há agora à venda pimentos verdes, vermelhos, amarelos e laranja: imaginam a combinação num mesmo arroz?!

Ainda por arroz: na Beira é costume juntar ao arroz de grelos, enquanto coze, uma farinheira picada com um garfo. Pormenores regionais... Se gostarem de farinheira, experimentem. Juntem-na antes de tapar o tacho para o arroz cozer e não se esqueçam de a picar, senão rebenta...

junho 14, 2006

Bolo de Laranja... com casca!



Não acreditam?
Cá vai:

1 laranja inteira, bem lavada, com casca
2 chávenas de açucar
2 chávenas de farinha
4 ovos
1 colher de sobremesa de fermento
1 colher de sopa de licor de laranja
1 pacote de natas
1/2 chávena de óleo
1 pitada de sal

Para o glacé:
1 laranja
açucar em pó q.b.

Misturem numa tigela todos os ingredientes secos.
No copo misturador ou no robot de cozinha juntem:
a laranja cortada aos pedaços (eliminar as sementes, se as tiver, claro), os ovos, as natas e o óleo. Façam bzzzzzzzzzzz até estar tudo bem misturado e a laranja completamente desfeita. Juntem o licor.

Vertam a mistura líquida sobre a mistura seca e mexam com a colher de pau misturando bem.

Levem ao forno, em forma untada e polvilhada com farinha, cerca de 40 minutos. Verifiquem a cozedura, inserindo um palito no centro do bolo. Quando sair limpo, está cozido.

O glacé:
Raspa e sumo de uma laranja. Misturar com açucar de confeiteiro (em pó) até dar ponto de cobertura. Espalhar sobre o bolo com uma espátula.

Este bolo é macio, húmido, fofinho... tudo de bom!

Da próxima vez vou fazê-lo com limão...

Mais saladas...

Deixo aqui os comentários da Patrícia e da Elvira, por serem mais duas saladinhas apetitosas!

Dizem elas:


"Já agora, deixa-me contribuir com uma combinação muito improvável mas que dá uma salada deliciosa (a sério!).Serviram-me isto num restaurante na Bulgária: alface cortada às tirinhas, ananás aos pedaçoes e corn flakes ligeiramente partidos (isso mesmo, Corn Flakes da Kellogg's!)O molho eram natas ligeiramente batidas.Muito fora do vulgar, muito saborosa, muito leve, fresca e nutritiva! "

Patrícia


"Cá em casa, também somos muito apreciadores de saladinhas. Sobretudo a de bacalhau assado na brasa, com batatas, ovos cozidos e pimentos. Era um dos pratos favoritos do meu avô materno."

Elvira


E não se esqueçam das portuguesíssimas salada de ovas e de polvo, dois acepipes que eu adoro!



salada de pepino, brie e nozes

Bifinhos com cogumelos



Estes bifinhos que eu faço são muito simples, e devem ser uma mistura de várias receitas que li e fui adaptando até darem nisto... Faço-os há tanto tempo que já não me lembro da origem.

São muito rápidos de preparar e normalmente sirvo-os com massa cozida (espirais, esparguete...), e tenho a refeição pronta em minutos.
Faço-os com bifinhos de perú, que corto às tirinhas ou aos quadradinhos. Acho que esta forma de preparar os bifes de perú os favorece, porque de outra forma são um pouco insípidos...

Numa frigideira salteio primeiro os cogumelos, cortados às fatias, em manteiga ou azeite. Retiro e ponho os bifinhos a alourar com dentes de alho à rodelas (pelo menos uns 4 bons dentes de alho). Deixo fritar a carne, o que no caso dos bifes de perú é muito rápido, e para esta receita não é importante deixá-los ganhar muita cor. Tempero com sal e pimenta.

Numa tigelinha misturo um pacote de natas com uma boa colher de sopa de mostarda e duas de ketchup ou uma colher de chá de colorau, para dar uma corzinha, e junto à frigideira juntamente com os cogumelos salteados. Se as natas forem muito espessas, junto um pouco de leite, o que também é um bom truque para reduzir calorias. Deixa-se ferver suavemente durante alguns minutos, mexendo sempre, para apurar o molho.

junho 13, 2006

Hoje é dia de Santo António!


Santo António casamenteiro
Que tanto gostas de ajudar,
Que não me falte o dinheiro
Para poder cozinhar!

Se a tua luz me iluminar
Prometo que, com inspiração,
Continuarei a cozinhar
Os pratos da nossa tradição!

Salame de Chocolate na forma



Gosto muito de salame de chocolate, mas às vezes tenho preguiça de o enrolar no papel de alumínio... empurra daqui, enrola dali... bah.

Resolvi metê-lo na forma do bolo inglês, e não me dei mal!

À receita base fiz algumas alterações: achei que levava manteiga a mais e, como está calor e não queria usar ovos em cru, substituí os dois ovos indicados por 4 colheres de sopa de leite condensado e não pûs açucar.

Foi assim:
Desfiz 2 pacotes de bolacha maria para uma tijela, deixando alguns pedaços de bolacha inteiros, como habitualmente. Derreti 100g de chocolate em tablette com 100 g de manteiga (a receita dizia 250g!!) e misturei nas bolachas. Pûs uma pitada de canela e o leite condensado. Misturei tudo muito bem até ficar homogéneo e o chocolate ter sido absorvido pela bolacha.

Transferi o preparado para a forma, untada com manteiga, e calquei bem com as mãos, para não deixar espaços vazios; levei ao frigorífico. Ao fim de alguma horas foi possível cortá-lo às fatias, como vêem na foto.
Acho que forrando a forma com papel vegetal, filme ou alumínio, será mais fácil desmoldá-lo. Da próxima vez experimento.

No salame podemos sempre usar outras bolachas: de manteiga, petit lu, de chocolate...
É bom para aproveitar os "fundos de pacote" e quanto maior a variedade mais rico o sabor.

junho 12, 2006

Saladas

O tempo está quentinho.
Chega o verão e apetecem comidinhas frescas e leves. Tradicionalmente os portugueses não são muito inventivos com as saladas, e afinal podem fazer-se de tantas maneiras, e tão variadas...

A simples salada mista, por exemplo:

É a nossa salada tradicional, mas sem grande esforço podemos dar-lhe um ar muito original!

Normalmente consiste em alface, tomate, pepino e cebola às rodelas, temperada com azeite e vinagre. Juntem-lhe também orégãos, ervas de Provença ou alho picadinho e ervas como tomilho, manjericão e cebolinho. Fica óptima se juntarmos umas folhas de rúcula e chicória, e um pouco de rama de aipo transforma por completo o sabor.

As massas, arroz e batatas cozidas(com pele e descascadas depois) também se prestam a inúmeras combinações em saladas.

Querem ver?

Salada de batata e pimentão

Cortar a batata aos cubos e juntar pimentão vermelho também cortado aos cubinhos, alho picado, malagueta (se gostarem) sal e pimenta, mostarda e paprica. Regar com um fio de bom azeite.

Salada alemã de batata

Cortar as batatas aos cubos, juntar pedaços de azeitona, cornichons cortados aos pedacinhos e salsichas alemãs às rodelas. Temperar com um molho feito com natas misturadas com mostarda, um pouco de vinagre, sal e pimenta e ervas picadas. Podem susbtituir-se as natas por maionese.

Outra que também faço muito é a de arroz. É possível fazê-la com quase tudo!

Ao arroz cozido, frio, misturo cubos de tomate, pepino, pimento verde e vermelho, cenoura ralada, pickles picados. Junto atum ou frango desfiado, ovos cozidos, delícias do mar... consoante o que há a mão. Tempero com vinagreta feita com alho pisado, mostarda, azeite e vinagre.
Pode também temperar-se com maionese e sumo de limão.
Se estiverem de mal com a maionese, substituam metade por iogurte natural.
Não se esqueçam das ervas frescas da vossa preferência, picadinhas.

As "delícias do mar" desfiadas, anchovas, ovos cozidos, azeitonas, queijos variados, são óptimos nas saladas e permitem fazer apresentações sensacionais e apetitosas.

Mais uma:

Salada de pepino, queijo brie e nozes

Cortar o pepino aos cubos, sem as sementes, assim como o queijo. Misturar tudo com nozes picadas e temperar com sal e pimenta, azeite e sumo de limão.

Não se esqueçam da couve roxa, dos bróculos cozidos "al dente", dos agriões, dos rabanetes, das ervilhas... enfim, usem a imaginação!

junho 09, 2006

5-4-3-2-1


É uma tarte de maçã que fica na memória:

5 colheres de sopa de farinha
4 colheres de sopa de açucar
3 colheres de sopa de leite
2 colheres de sopa de óleo ou bom azeite
1 ovo
1 pitada de sal e outra de canela
2 ou 3 maçãs, consoante o tamanho, descascadas e cortadas em pedacinhos.
Misturam-se todos os ingredientes numa tigela e verte-se a massa numa tarteira pequena, untada com manteiga.
Quando estiver quase cozida, deita-se por cima um ovo inteiro, batido com 80 grs de açucar e 40 g de manteiga derretida. Leva-se novamente ao forno até alourar.
Mais fácil é impossível...
É um bolo pequenino, para uma tarteira maior fazer um 10-8-6...

Receita tupperware

Nems à minha maneira


Podem não se muito ortodoxos, mas ficam muito bons, e as minhas filhas adoram!

Para uns vinte:

Recheio:
250 g de carne de porco picada
100 g de cenouras raladas
100 g de cebola picada
150 g de rebentos de soja
sal q.b.
Umas folhas de aipo picadas
Um traço de molho de soja
um ovo grande

Há quem recheie as folhas de crepe de arroz com o recheio cru, mas como não me arrisco a comer carne de porco mal passada, salteio-a primeiro na frigideira, com uma mistura de especiarias, segundo a inspiração do momento.
Misturo com os legumes e o ovo (que às vezes não ponho).
Coloco uma boa colher de sopa de recheio em cima de cada folha de crepe, previamente amolecida em água fria e salpicada com sal e pimenta.
Enrolo (pimeiro dobro as laterais e depois faço o rolinho propriamente dito) e ponho a fritar em lume não muito forte, até dourarem.

Molho agre-doce:
Fiz com vinagre branco, molho de soja, uma colherita de açucar mascavado, cebola picada (não tinha molho nuoc man, senão tinha posto um bocadinho... )
Servi com salada verde e arroz pilaf.

junho 08, 2006

Sopa de Alho e Courgettes (Itália)


1 cebola
azeite q.b.
2 cabeças de alho
2 courgettes
2 batatas
2 litros de caldo de aves
manjericão fresco

Saltear o alho e a cebola picados finos no azeite; juntar a batata, cortada às rodelas, e mexer durante 2 minutos. Juntar o caldo (de preferência feito em casa), sal e pimenta, e deixar cozer.
Passar a sopa e juntar as courgettes cortadas aos pedaços. Deixar cozer até ficarem macias.
Servir com manjericão fresco.

Panna Cota



É uma sobremesa fresca, fácil de fazer, e, perdoem-se-lhe as natas, já vi mais calóricas...

Panna cota (italiano) quer dizer "nata cozida".

Pode confeccionar-se com diversos sabores, mas eu faço-o quase sempre apenas com aroma de baunilha e verto por cima doce de frutas diversas (basta cozer a fruta com açucar a gosto e desfazê-la no mixer, visto que é para consumir de imediato).

Fica bonita desenformada, com o doce por cima, mas como a vida moderna oblige, não me dei a esse trabalho e o gosto era o mesmo. Perdoem-me os artistas...

Pode fazer-se a quantidade que se quiser, respeitando as seguintes proporções :

50 cl de natas (quando são muito espessas, "corto" com leite)
40 g de açucar (ou segundo o gosto de cada um)
3 folhas de gelatina demolhadas em água fria
aroma a gosto

Deixar as natas em infusão durante algum tempo com o aroma escolhido (até com pétalas de rosa se pode fazer!)
Levá-las à ebulição, retirar imediatamente do lume e juntar a gelatina demolhada e escorrida;
Verter em tacinhas e levar ao frio até prender.
Desenformar ou não, e cobrir com doce de fruta.

Já que hoje posso postar fotografias, mais uma:


junho 07, 2006

Sardinhas à Grega (Sartheles Lathorigan)

Sempre vos digo que já grelhei sardinhas este ano e que já são muito boas e gordinhas. Mas não vamos comê-las sempre da mesma maneira, não acham?

Pois então cá vai uma receita grega para preparar sardinhas, com ingredientes absolutamente banais entre nós:

Tirar a cabeça e as tripas às sardinhas.
Untar uma assadeira com azeite, colocar as sardinhas às camadas, intercaladas com tomate e limão às rodelas, sal, pimenta e orégãos. Regar com azeite e sumo de outro limão, polvilhar com salsa picada e levar ao forno a assar, durante cerca de 30 minutos.

Muito fácil e diferente. Experimentem.

junho 06, 2006

Antecipando o jantar...



Não pude postar a brioche, vou dizer o que vai ser hoje o jantar:

Carne guisada com sumo de laranja e especiarias, que vou acompanhar com couscous simples.

(Olá filhas, se cá vierem ficam já a saber o que vai ser o jantar!... É sempre o grande suspense do dia)

A carninha:

Vai ser de novilho, mas podia ser de porco, cortada aos cubos. Aloura-se bem em manteiga ou margarina e retira-se da panela.
Na gordura que ficar aloura-se cebola picada, junta-se a carne e vinho branco e deixa-se cozer, temperando com sal, pimenta preta do moinho, gengibre, noz-moscada, cravinho, uma pitada de canela e outra de ras-el-hanout. Quando estiver bem tenra, junta-se o sumo de uma laranja e 2 colheres de sopa de natas misturadas com uma colher de chá de maizena. Se quiserem fazer a preceito, juntem um pouco de aveludado de carne, em vez da maisena, para engrossar o molho... Por mim vou deixar essa opção para um dia em que o jantar deva ser mais requintado.