maio 25, 2006

Clafoutis de Cerejas

As cerejas de saco da Cova da Beira estão aí em força, e o preço é agora um pouco menos escandaloso, por isso podemos fazer um clafoutis.



É muito simples:

Barramos um tabuleiro com manteiga, deitamos-lhe dentro 400g de cerejas bem pretas.
Misturamos 50 g de farinha com outro tanto de açucar, 2 ovos, e juntamos 4 dl de leite e a raspa de um limão pequeno. Vertemos por cima das cerejas.
Levamos ao forno (temperatura média) já quente, e impacientamo-nos durante 40 minutos.
Saído do forno, polvilhamos com açucar em pó e esperamos que a temperatura baixe o suficiente para podermos comer.

Não se descaroçam as cerejas... Mesmo no doce de cereja, quanto optamos por fazê-lo com cerejas descaroçadas, devemos juntar à panela os caroços, envolvidos numa gaze, porque dão gosto ao doce.

A receita é de Maria de Lurdes Modesto

Fim do espisódio chanfana - a receita

A chanfana é um prato rústico, que nasceu do engenho e da necessidade de aproveitar carne dura, como acontece com a deliciosa alcatra dos Açores.
Não é fácil reproduzi-la em casa, porque já não temos o forno a lenha, nem a lareira...
Evidentemente, é também muito difícil encontrar na cidade a carne adequada.

Como sou da Beira Baixa, onde cabras não faltam, sei de que se trata... minha mãe é mesmo natural de uma pequena aldeia que se chama Cortes-do-Meio. Ora por cortes entende-se justamente o lugar onde se guarda o gado (neste caso, cabras). E mau grado as regras da CEE (espero não ir presa), ainda basta falar com o pastor certo para poder comer o pestisco!

Os ingredientes utilizados são simples: carne de cabra, vinho tinto encorpado, de boa qualidade (muito...), banha de porco e azeite, colorau, louro, cabeças de alho, salsa, sal e piri-piri.

O segredo está no modo de a cozinhar: tradicionalmente deixava-se no tempero de um dia para o outro, cozia-se no dia seguinte nos fornos a lenha durante horas a fio, em recipientes de barro vedados com folhas de couve. Por vezes cozia durante toda a noite e, antes de ser servida, era novamente suavemente aquecida no mesmo forno ou à lareira.

A carne assim preparada ganha uma consistência e sabor únicos.

Para reproduzir em casa esta iguaria, faço assim:

Primeiro tiro uns dias de férias e vou para a minha terra; depois, por artes de magia, chega-me uma bela carne de cabra adulta (não faço questão que o animal seja da pré-história...). Procedo ao tempero como indicado atrás, e no dia seguinte levo-a ao forno brando num tacho de barro, durante todo o tempo necessário para apurar e a carne ficar muito tenra e largar dos ossos. Armem-se de paciência: mínimo 4 horas.

É necessário prestar atenção à qualidade do vinho, não serve o tinto corrente, nem o palheto. Precisamos de um vinho tinto forte, encorpado e com alma.

A história da chanfana


Pasmem, pois parece que a chanfana, como grande parte da doçaria tradicional portuguesa nasceu num convento... mais precisamente no Mosteiro de Santa Maria de Semide, em Miranda do Corvo, e que o seu consumo só se generalizou após a 3ª invasão francesa.

Como tinham que pagar foros, os agricultores e rendeiros dos coutos do Mosteiro, que também eram pastores, pagavam com cabras e ovelhas, e aproveitavam para se desfazer dos animais velhos, que já não davam leite nem se reproduziam (espertos...). As freiras, como não podiam sustentar tamanho rebanho, inventaram uma forma de conservar a carne já cozinhada, nas caves do mosteiro, durante todo o ano (tão engenhosas como os pastores...).

Vinho não lhes faltava nos coutos, e a indústria do barro vermelho era florescente na região. A carne assada no vinho mantinha-se no molho solidificado durante meses.
Só durante a 3ª invasão francesa, para evitar que os invasores roubassem o gado, as freiras terão divulgado a receita.

De Miranda do Corvo se terá expandido a toda a região centro, e é também conhecida por “Carne de Casamento”, por ser servida durante festas e ocasiões especiais como essa.
Comida a chanfana, como tinha que se aproveitar tudo, surgiu a “Sopa de Casamento”, feita com as sobras e o molho da carne, que se servia aos convidados no dia seguinte.

O que eu gosto destas histórias...

maio 24, 2006

Chanfana...

Se algum Bom Garfo amigo souber onde se compra em Lisboa carne de jeito para fazer uma boa chanfana, conto a história do prato e dou a receita!

O bolo de canela da tia Irene

Este post é dedicado à minha tia Irene, cozinheira de mão cheia!

A maior qualidade dela resume-se nisto: damos-lhe 3 ou 4 ingredientes que para o comum dos mortais podem até não fazer sentido, e ela há-de ter uma ideia inspirada que os transformará num manjar, qualquer coisa de que ninguém mais se lembraria...

Tudo isto para dizer que a receita de bolo de canela de que mais gosto foi ela que me deu, e vou partilhá-la convosco. Para além de ser delicioso, prepara-se em poucos minutos, qualidade que nos tempos que correm não é de menosprezar.

Precisamos de :

4 ovos
2 chávenas de chá de açucar
2 chávenas de chá de farinha
1 chávena de leite
2/3 chávena de bom azeite
raspa de 1 limão
1 colher de sopa de canela
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1 colher de café de bicarbonato
1 pitada de sal
1 cálice de vinho do Porto

Preparação (ultra-rápida):

Numa tigela grande misturar os ingredientes secos com a colher de pau (isto evita a formação de grumos posteriormente).
Abrir uma cova e juntar todos os ingredientes restantes (ovos, leite, raspa, azeite, canela, vinho do Porto...)
Mexer tudo com a colher de pau até homogeneizar. É muito importante NÂO bater a massa, só misturar, sem dar muita importância a algum pequeno grumo de farinha que apareça... Basta apertá-los contra as paredes da tigela para os desfazer.

E... já está!

Deitar a massa numa forma de buraco muito bem untada e polvilhada com farinha (mesmo bem untada, senão o bolo pega ao fundo...).
Cozer durante cerca de 45 minutos em forno médio (verificar a cozedura com um palito).

É bom morno, mantém-se fofinho durante vários dias e, muito importante, ainda ganha em sabor com o passar do tempo...

Não deixem de experimentar!

maio 23, 2006

Tarte de Cebola



Uma tarte um pouco diferente das habituais quiches.
A da foto foi feita sobre massa de pizza, mas acho que ainda ficaria melhor sobre massa de pão, deixando um pequeno rebordo à volta para conter o recheio...

Para a confeccionar:

Forrar uma forma de tarte com a massa escolhida, picar o fundo com um garfo e guardá-la no frigorífico. Aquecer o forno a 200ºC.

Alourar 150 g de bacon numa frigideira e escorrer sobre papel absorvente.

Num tacho, fazer caramelizar 3 cebolas grandes cortadas às rodelas em duas colheres de sopa de azeite e uma colher de chá de açucar.

Passar 200g de queijo fresco pelo passador, juntar 1 gema, um pacote de natas, 1 colher de sopa de boa mostarda, sal e pimenta.

Misturar o bacon e a cebola no creme.

Vazar a mistura sobre a massa e levar ao forno até ficar lourinha.

Quem quiser tentar a aventura de fazer queijo fresco em casa, dê uma espreitadela às explicações do Kuka...

Lemon Curd




Que gulodice!

maio 22, 2006

Sobremesa em três tempos...

Apetece-vos apresentar uma sobremesa fresquinha, bonita e colorida e não estão com muita paciência para coisas complicadas? Tenho a solução!
É tão fácil que foram as minhas meninas que compuseram esta:



1 base de tarte de compra, pronta a rechear
1 receita de lemon curd
fruta a gosto

Espalhar o lemon curd sobre a base da tarte, cobrir com a fruta (neste caso morangos e quiwi, os meios que havia a bordo). Pincelar com geleia, se tiverem à mão, levar ao frogorífico e servir fresca.

Fica muito boa se a cobrirem apenas com morangos bem maduros, inteiros, ou bagos de uva pretas e brancas, bolinhas de meloa ou melão, o que a imaginação vos ditar...

Como se faz o lemon curd:

Raspa e sumo de 2 limões
250 g de açucar
50 g de manteiga
3 ovos inteiros
1 folha de gelatina demolhada em água fria

Misturam-se todos os ingredientes com uma vara de arames, levam-se a lume brando numa caçarola pequena, mexe-se sempre e aguarda-se pacientemente que ganhe consistência.
Se não for para utilizar logo, conserva-se durante uma semana no frigorífico num pote de vidro previamente esterilizado, se afastarem os gulosos!
Experimentem também servi-lo sobre torradas, acompanhadas com um chá.

Pasta de queijo fresco com cebolinho

Um queijinho fresco sabe sempre bem como entrada, mas, se o quisermos incrementar um pouco, batêmo-lo em creme, juntamos uma colher de sopa de cebolinho picado, um golo de vinho branco, temperamos com sal e pimenta e uma colher de chá de mostarda forte.
Servimos sobre fatias finas de pão centeio torrado.

Ou então:

Utilizamos esta pasta para barrar umas tirinhas de salmão fumado, enrolamos e colocamos por cima de uma salada de folhas bem temperada com vinaigrette e acompanhamos com o pão torrado.

Simpática a entradinha, não é?



O pãozinho de centeio feito em casa, com farinha integral de produção biológica...

maio 19, 2006

Cinnamon Rolls



Que é como quem diz, caracóis com canela e nozes.
Post a pedido da minha filha, que os adora.

Para a massa :
20 cl de leite
50 g de manteiga
400 g de farinha 55
60 g de açucar
1 pacote de fermipan ou 12 g de fermento de padeiro fresco
1 ovo

Para rechear:
50 g de margarina ou manteiga derretida
115 g de açucar amarelo
2 c de café de canela
150 g de nozes partidas

Glace:
115 g de açucar de pasteleiro (em pó)
1/2 c café de aroma de baunilha ou açucar baunilhado
um pouco de leite
20 g de manteiga derretida

Massa:
Aquecer o leite com a manteiga; misturar com 145 g de farinha, o açucar, o sal, a levedura e o ovo.
Bater bem a massa para misturar todos os ingredientes
Ir juntando a farinha até que a massa não cole às mãos.
Colocar a massa numa tijela untada com manteiga.
Deixar levedar durante cerca de 1 hora.
Estender a massa sobre uma superfície enfarinhada, em rectângulo, com a ajuda do rolo. O lado maior virado para a fente.

Barrar com a manteiga, deixando uma tira livre de manteiga lá atrás; misturar o açucar amarelo e a canela e espalhar sobre a manteiga. Espalhar em seguida as nozes.

Enrolar a massa da frente para trás até à tira livre de manteiga (onde acaba o rolo, assim a massa adere e cola). Virar o rolo de forma a que a abertura fique para baixo. Cortar o rolo em 12 fatias grossas, colocá-las no tabuleiro sobre papel vegetal untado, deixando um pouco de espaço entre elas (vão inchar e colar-se umas às outras).
Deixar levedar cerca de 1/2 hora.

Aquecer o forno a 180°.
Cozer entre 20 et 25 mn.
Deixar arrefecer.

Glace:
Misturar todos os ingredientes até obter um preparado relativamente espesso, mas que escorra. Verter com uma colher sobre os caracóis mornos, em fio.
Podem fazê-lo de forma mais artística que eu...

Dá um bocadinho de trabalho, mas é mais o palavreado que outra coisa...




Receita da Céline

Entrecosto com arroz, à minhota



Quando fiz férias no Minho não houve vila ou aldeia onde não tivesse encontrado uma "venda" com os tabuleiros do entrecosto no sal, já temperado, pronto para preparar este prato.

Chegada a casa, resolvi experimentar fazê-lo, com bons resultados.
Não imaginam como gosto de arroz, de todas as maneiras! Mais um bocadinho e fico com os olhos em bico...

Ora então, cá vai:

Começo por dizer que os minhotos juntam ao arroz o seu chouriço de cebola, coisa que não tinha, e portanto servi-me de um belo chouriço de carne da minha terra.

Outra coisa: quem estiver à dieta, abstenha-se...

Cortei o entrecosto e duas fatias de entremeada em pedaços, temperei com colorau, alho picado, uma ceboal picada, sal, cominhos, uma folha de louro partida, sem o veio, uma colher de vinagre e pimenta moída na altura. Reguei com vinho tinto da safra paterna (devia ter sido com um vinho verde tinto... ), tapei a tigela e deixei-a no frigorífico.

No dia seguinte pûs o tacho ao lume com azeite, juntei o conteúdo da tigela (sem o líquido, que reservei) e deixei alourar bem a cebola e a carne.
Juntei o líquido da marinada e meio chouriço, e quando achei que o alcool do vinho já tinha evaporado, juntei parte do caldo onde tinha cozido feijão manteiga (na proporção de 3 vezes o volume de arroz que ia cozinhar)e uma concha dos próprios feijões cozidos.
Deixei cozer as carnes, retirei o chouriço e juntei o arroz. Rectifiquei os temperos (sou parcimoniosa com o sal, detesto comida salgada), mexi e tapei o tacho, com o lume no mínimo até o arroz estar cozido (fica malandrinho). Fui deitando umas olhadelas e ainda juntei um bocadinho de caldo do feijão .
Polvilhei com salsa picada e cortei por cima o chouriço em rodelas.
Comemos logo em seguida, como é regra com este tipo de arroz.

maio 18, 2006

Polme para fritar

Para fritar legumes e fruta (as maças fritas às rodelas fininhas neste polme e cobertas com açucar e canela são deliciosas...) faz-se assim o polme:

Colocam-se 250 grs de farinha numa tigela, abre-se um poço, junta-se sal, 3 ovos inteiros, 0,5 dl de óleo ou azeite e incorpora-se tudo com a vara de arames juntando a pouco e pouco 2,5 dl de cerveja branca, leite ou água (consoante o fim a que se destina, questão de gosto...). Cobre-se a tigela e leva-se ao frio por cerca de duas horas.
Findo este tempo, juntam-se 3 claras em castelo.
No caso de se destinar a fritar maçã ou outros frutos, pode juntar-se às claras um pouco de açucar. *
A quantidade de polme que se obtém é considerável.

Pronto, já podem fazer tempura na panela da fondue (os alimentos a fritar têm que ser frescos, de pequenas dimensões e bem cortados) ou beignets de maçã para a sobremesa...



* receita do Chef Simon

Cherovias

Pois é, áqueles legumes brancos, em forma de cenoura, chama-se na Beira Baixa cherovias...
O Chalabi Red acertou, e agora já as conhece... de vista.
O Kuka, como cozinheiro que é, também acertou, porque o nome delas é mesmo pastinaga. Mas já sabem: cada terra com seu uso, e os beirões arranjaram-lhe uma alcunha...
A Elvira também as identificou, pois os franceses chamam-lhe "panais".

As cherovias são desconhecidas porque são um bocadinho mal-amadas, na minha opinião, sem razões para isso.

Com elas e com as beringelas, faz-se na Beira Baixa uma espécie de tempura gigante.

Porque quem ensinou os japoneses a fazer fritos foram os jesuítas portugueses. Era um método de cozedura desconhecido para eles até então.
A palavra tempura deriva da palavra portuguesa Têmpora, quer dizer da época das Têmporas (por alturas da Páscoa), designação que para nós caiu em desuso. Contudo continuamos a chamar aos primeiros frutos da estação "frutos temporãos"...
Se repararem, na tempura entram apenas vegetais e peixes ou mariscos, nunca carne. Isto deriva do facto de na Páscoa os jesuítas fazerem abstinência de carne, costume que ainda se mantém em muitas regiões do interior do país.

Tudo isto para explicar que as cherovias se descascam, cozem-se às fatias (cortadas no sentido do comprimento) em água e sal, passam-se por um polme, como o que se faz para os peixinhos-da-horta, e fritam-se em azeite.

O mesmo fazem os beirões com as beringelas, cortadas às rodelas, salpicadas com sal, sem as cozer previamente.

As cherovias devem ser sempre muito frescas e tenras, caso contrário o gosto delas altera-se, amolecem e ficam francamente desagradáveis, e as beringelas maduras, de pele bem esticada e firmes, sem sementes formadas; se forem demasiado grandes tornam-se esponjosas.

O gosto delas: um pouco como a cenoura, mas mais acentuado, também são adocicadas como as cenouras, e eu diria que há ali também qualquer coisa que nos faz lembrar o nabo... Enfim, só provando!

Quando tenho muitas saudades delas, escolho cenouras grandes e tenras e preparo-as da mesma maneira, coisa que também podem fazer.

Obrigado a todos os que participaram na brincadeira :)

Como Maria de Lurdes Modesto apetece-me dizer :

Será que depois disto não mereço que um agricultor beirão cultive e faça chegar a todo o país as cherovias da minha paixão?

maio 17, 2006

Adivinha...


Alguém me sabe dizer de que legume se trata? Se adivinharem posto a receita... amanhã.

Sopa de Salsa


Aqui em casa há sempre sopa, não passo sem ela, tenho que comer sopa pelo menos uma vez ao dia, senão falta-me qualquer coisa!
(Uma piscadela de olho à Laranja com Canela, que tem sempre umas sopinhas deliciosas!)
Além disso, quando temos sopa nunca estamos desprevenidos...
E se estivermos desprevenidos com os ingredientes para a fazer?
Se tiverem os poucos que vou mencionar, e com os quais os covilhanenses preparam uma saborosa sopa de salsa, têm o problema resolvido!

Quanto às quantidades, cada um conhece o tamanho da sua panela, por isso adaptem à vontade... Estas são as quantidades para a minha panela mais pequena.

Precisam de :
7 batatas médias
2 cebolas
2 dentes de alho
1 ramo de salsa
4 colheres de sopa de azeite
2 ovos
quadrados de pão frito q.b. (facultativo)

Cozem-se as batatas, a cebola e os alhos numa panela com água e sal. Cinco minutos antes do final da cozedura, junta-se o azeite. Passa-se a sopa com a varinha mágica. Junta-se um ramo de salsa muito picadinha, e deixa-se levantar fervura.
Por fim misturam-se na sopa os ovos batidos ou, como eu prefiro, cozidos e cortados às rodelas.
Pode ainda servir-se com quadradinhos de pão frito, mas é facultativo.

Hão-de aparecer por aqui mais receitas da minha terra.

Entretanto, sempre vos digo que a salsa é rica em vitaminas A e C e oligo-elementos, e tem propriedades depurativas e diuréticas. Para além do papel que habitualmente desempenha no clássico ramo de cheiros, dá cor e enriquece saladas e omeletes.

maio 16, 2006

Pãezinhos para o lanche

Eu gosto de fazer pão para o lanche das minhas filhotas... Vou experimentando coisas novas e não me tenho dado nada mal. Essas experiências vão aparecer por aqui.
Tenho sempre fermento de padeiro congelado no frigorífico (às porções para 1/2 kg de farinha) e, quando chego a casa stressada, bato na massa...

Esta receita foi adaptada de um bolo salgado publicado numa teleculinária. Originalmente a massa divide-se em duas partes; metade cobre o fundo da forma ou tabuleiro, põe-se por cima o recheio (chouriço, queijo e fiambre ou outros) e cobre-se com a outra metade.

Eu resolvi fazer com ela estes pãezinhos, uma espécie de merendinhas individuais.



25 g de fermento de padeiro
2 dl de leite
1 colher sopa de açucar
1/2 kg de farinha
2 ovos
2 colheres sopa de manteiga
1 colher de sobremesa rasa de sal
queijo e fiambre ou chouriço
1 gema de ovo misturada com um pouco de leite, para pincelar

Amornar o leite.
Dissolver o fermento num pouco de leite morno; bater ligeiramente os ovos.
Juntar a manteiga amolecida ao leite restante (vai derreter).

Colocar a farinha dentro de uma tigela, misturada com o açucar, abrir uma cova ao centro e deitar aí os liquidos, incluindo os ovos. Amassar ligeiramente e polvilhar com o sal.
Amassar muito bem * e deixar levedar até duplicar de volume, em local temperado.
Estender a massa com o rolo sobre uma superfície enfarinhada, em rectângulo.
Cobrir metade com o recheio, dobrar por cima a parte que ficou livre e cortar as merendinhas.
Colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal ligeiramente untado. Deixar crescer de novo (+ ou - meia hora, agora que o tempo está quente). Pincelar com a gema de ovo misturada com o leite e levar a forno já quente durante cerca de 20 minutos (verificar).

* Esta coisa das massas tem muito de empírico; vão-se fazendo e vai-se aprendendo.
Amassa-se até a massa se descolar das mãos, e a sentirmos ganhar "corpo" e força.
Nunca pôr o fermento em contacto directo com o sal, porque perde o efeito.

Mousse de Ananás

Esta mousse de ananás que eu faço não tem receita... quer dizer, é a compilação de várias receitas lidas e adaptadas à minha maneira. Quem conta um conto...



1 lata pequena de ananás em calda
1 lata de leite condensado
1 pacote de natas para bater
4 ovos
1 pacote de gelatina de ananás

Ponho 2,5 dl da calda de ananás a aquecer e dissolvo lá a gelatina. Junto as 4 gemas desfeitas a este preparado e levo novamente a lume brando até obter um creme, mexendo sempre (não mais que 1 minuto...). Junto o leite condensado e deixo arrefecer.
(Já expliquei como se faz para as gemas não talharem: primeiro mistura-se um pouco do preparado quente nas gemas e depois é que se adicionam ao restante...)
Bato as natas em chantilly e as claras em castelo, misturo tudo e adiciono ao preparado de gemas e gelatina, já frio, com 4 rodelas de ananás cortadas aos cubinhos.
Levo ao frio, e antes de servir decoro com pedacinhos de ananás e rosetas de chantilly.
Bem geladinha é uma delícia! E uma bombinha calórica também...

maio 15, 2006

Cerejas dos meus amores

Cada qual puxa a brasa à sua sardinha...
Portanto, não se esqueçam:

Festa da Cereja do Fundão - 15 a 18 de Junho (Alcongosta)

Momentos culturais, animação de rua, tasquinhas com petiscos, venda de cereja, passeios pedestres pela Serra da Gardunha - Rota da Cereja, passeios de jipe pela Serra da Gardunha.

Já que eu não vou poder ir lá... Sniff...

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.


Eugénio de Andrade (Natural do Fundão)

Bolo salgado de bacon e cebola



É um cake muito simpático para entrada, para um piquenique ou lanche, ou como refeição ligeira, acompanhado com uma salada.

3 ovos
150 g de farinha
120 ml de leite
1 dl de óleo
1 colher de sopa de natas
100 g de cebola
200 g de bacon
100 g de queijo gruyère ralado
1 colher chá de fermento em pó
sal e pimenta q.b.

Cortar as cebolas em rodelas finas e levar a alourar numa colher de sopa de óleo; juntar o bacon cortado em tirinhas e deixar alourar alguns minutos. Retirar do lume e misturar as natas.
Numa tigela juntar a farinha e o fermento, abrir uma cavidade ao centro e deitar aí os ovos, o óleo restante e o leite e misturar tudo.
Adicionar o queijo ralado e a mistura de cebola e bacon, mexendo com cuidado.
Temperar com sal e pimenta.
Deitar a massa numa forma untada e levar a cozer durante 45 minutos, em forno pré-aquecido a 180ºC. Verificar se o bolo está cozido espetando-lhe um palito no centro; quando sair seco, está pronto. Desenformar e servir morno.

Uma das receitas que encontrei na minha última aquisição.... Sou uma compradora compulsiva de livros de culinária!...

maio 13, 2006

Pézinhos de Coentrada



Faço assim:
Cozo 3 pézinhos de porco bem limpinhos, na panela de pressão, durante 1 hota.
Deixo arrefecer e desosso-os.
Esmago 3 dentes de alho no almofariz, juntamente com um raminho de coentros.
Deito duas colheres de sopa de azeite num tacho, junto a "papinha" de coentros e deixo fritar ligeiramente,. Polvilho com um pouco de farinha, mexo bem, e junto um pouco do caldo da cozedura (vai-se vendo a consistência do molho, a gosto). Junto a carne e deixo apurar.
Podem juntar-se 2 gemas de ovo, previamente desfeitas num pouco de molho quente, retirado do tacho. Juntar o quente ao frio e não o contrário é o truque para as gemas nunca talharem...

E aí têm o petisco pronto.