maio 11, 2006

Delícias de cerveja



Têm uma consistência entre o bolo e a queijada, e um sabor... diferente!

2 ovos
300 g de açucar (eu pûs só 250...)
100 g de margarina derretida
100 g de farinha
1 cerveja branca
raspa de um limão pequeno
1 cerveja branca
1 pitada de sal

Batem-se muito bem os ovos com o açucar até se obter um creme; junta-se a margarina derretida, morna, a raspa do limão, e depois a farinha, alternada com a cerveja, e o sal.
A massa fica líquida.
Deitar em formas de queques, bem untadas, até 3/4 da altura (para não verterem enquanto cozem).
Levam-se ao forno bem quente durante 20 (?) minutos.
Tenho sempre alguma dificuldade em indicar os tempos de cozedura porque o meu forno é muito maroto, e estou sempre em cima dele...


Com estas quantidades fiz 15 delícias.

A receita foi publicada numa "teleculinária" dos anos 80, e diz para se envolverem as delícias em açucar granulado depois de prontas, mas eu não o fiz.

A propósito do bacalhau

Diz Eça de Queirós :

A julgar por estes traços exteriores, poderiam considerar-se retratados no Alencar, e vibrarem sátiras contra mim, todos os homens que em Portugal têm bigodes, cometem versos, gesticulam largo, e sabem modos de cozinhar o bacalhau - isto é, uma farta metade dos habitantes do reino.

(em Notas Contemporâneas)

maio 10, 2006

Soufflé de Bacalhau



O soufflé é económico, rápido de fazer e acompanha muito bem as saladinhas. Este é de bacalhau, mas pode fazer-se com pescada, queijo, fiambre...


Precisa de :


50 g de manteiga ou margarina
250 g de bacalhau cozido e desfiado (como para pastéis)
2,5 dl de leite
4 ovos (claras em castelo)
50 g de farinha
Sal, pimenta e noz moscada
queijo ralado a gosto

Derrete-se a manteiga e junta-se-lhe a farinha; envolve-se bem e junta-se o leite frio, mexendo sempre com a colher de pau, para não ganhar grumos. O preparado engrossa. Tira-se a caçarola do lume e junta-se o bacalhau desfiado,as gemas, e parte do queijo. Tempera-se com sal, pimenta e noz moscada.
Misturam-se as claras cuidadosamente: primeiro uma ou duas colheradas para distender , e depois as restantes, evitando parti-las.
Verte-se para uma forma de soufflé bem untada com margarina, polvilha-se com o queijo restante e leva-se ao forno (pré-aquecido) durante 15 minutos. Findo este tempo, aumenta-se a temperatura do forno e deixa-se cozer por mais 10 minutos (verificar).
Serve-se assim que sai do forno.

Buchteln

Em Portugal temos excelentes bolas e folares, quer doces, quer salgados.
Mas hei-de recordar para sempre o gosto da primeira brioche francesa que provei.
Era leve e adocicada, com um sabor subtil a manteiga... uma delícia.
Até hoje persigo aquela recordação, e hei-de publicar aqui algumas das minhas experiências nesta matéria.

Começamos já:

Apresento-vos a Buchteln (que por acaso é alemã...)



30 g de fermento de padeiro
250ml de leite morno
1 ovo batido
75g de açucar
500g de farinha
7 g de sal.
100g de manteiga amolecida
nutella

Para regar a brioche:
1,5 dl de leite
1 colher de sobremesa de manteiga
1 colher de sobremesa de açucar

Desfaz-se o fermento no leite morno.
Coloca-se a farinha numa tijela grande, mistura-se com o açucar e o sal, abre-se uma cova no meio e deita-se aí o leite com o fermento dissolvido, e o ovo batido. Amassa-se ligeiramente, até formar uma bola; junta-se a manteiga amolecida, aos poucos.
Esta é talvez a fase mais difícil,: é preciso amassar muito bem, de forma a incorporar toda a manteiga na massa e conseguir uma textura lisa e que se despegue facilmente das mãos.
Depois de bem amassada, cobre-se, e deixa-se levedar até duplicar de volume.

Depois de lêveda, separa-se a massa em 16 pedaços, a que se dá a forma de pequenas bolas. Colocar dentro de cada bola uma colher de chá de nutella.
Vão-se dispondo as bolinhas umas ao lado das outras num tabuleiro ou forma polvilhada com farinha, formando um círculo ou um rectângulo. Deixar levedar por mais ¾ de hora e regar com um pouco de leite morno, a que se juntou uma colher de sobremesa de manteiga derretida e uma colher de sobremesa de açucar. Levar a forno pré-aquecido por cerca de 30 minutos (verificar, em função do forno).

Deixar arrefecer um pouco e polvilhar com açucar em pó.


A receita, ligeiramente adaptada por mim, encontra-se em vários blogs de culinária franceses, por exemplo, aqui.

Dá um bocadinho de trabalho, mas vale a pena, sobretudo pelos sorrisos com que nos brindam logo ao pequeno almoço!

maio 09, 2006

A estrela da salada



Pensavam que não ia dar a receita? Claro que sim.
Após vários anos a cozinhar para quatro há certas medidas que são intuitivas... Eu fiz assim:

Misturei 1 chávena de chá de sêmola de trigo de grão médio com duas colheres de sopa de azeite, sal, pimenta e 1 colher de chá de cominhos moídos (quem não gostar pode temperar com noz moscada). Cobri com água a ferver até 1/2 cm acima da sêmola. Deixei inchar os grãos, mexi bem com um garfo para os soltar, levei ao microondas 2 minutos, coberto com tampa. Mais uma mexidela com o garfo e deixei a arrefecer (o microondas às vezes pode ser muito útil; no caso do couscous aqui tratado é fantástico e poupa-nos o dissabor de ver os grãos moles e intragáveis, ficam no ponto!).

Numa saladeira juntei: 1 boa cebola nova picada, 2 tomates maduros aos cubinhos, 1/2 pimento verde também aos cubos, 1 colher de sopa de salsa picada, 1 colher de sopa de coentros picados, 1 folha de hortelã picada, 1 pepino pequeno, sem as sementes, aos cubos. Ficou lindo e colorido, comia-se mesmo assim!
Temperei com a minha vinagrette de sempre (está sempre pronta no frigorífico) e rectifiquei o sal. Se não tiverem a vinagrette (já digo como a faço), temperem com azeite, sal e vinagre ou sumo de limão.

Com a sêmola já fria, misturei os dois preparados e levei ao frigorífico para ficar fresquinho. Simples, não é? E prático, para "donas de casa desesperadas"!

Muito bom com carne grelhada, um estufado de borrego... enfim, usem a imaginação!

A vinagrette:

2 terços de bom azeite
1 terço de vinagre
1 colher de mostarda
pimenta do moinho
sal
Tudo junto num frasco com tampa, agita-se, prova-se, rectifica-se de sal, e já está...

Taboulé

Já devem ter reparado que sou muito gulosa... Mas hoje tenho uma surpresa: uma saladinha! Sim, que o bom tempo anda a brincar às escondidas connosco, mas há-de assentar...
Bom, como são as vossas manhãs de sábado? As minhas são uma azáfama... Trabalha-se toda a semana, é preciso pôr ordem em casa e fazer provisões.
Quase horas de almoço... Que há-de ser? Qualquer coisa rápida e fácil de fazer, sim, mas apetitosa!
Uma olhadela ao frigorífico, uma ida à despensa... Vou fazer um taboulé, olarilas! E mais: vamos almoçar fora! (*@?!!) Já vão ver:



No terraço, claro!

maio 08, 2006

Bolo de Queijo (Cheesecake)

Uma versão diferente da dos semi-frios confeccionados com gelatina. Este bolo, de origem americana, fica excelente quando confecionado com queijo fresco ou requeijão bem português...



150 g de bolacha digestiva (ou outra, estaladiça)
100 g de manteiga
40 g de fécula de batata
2 colheres de sopa de leite
250 g de queijo fresco bem escorrido, ou requeijão
125 g de natas
100 g de açucar
4 ovos
1 limão pequeno

Ralar as bolachas e misturar com a manteiga de modo a obter uma massa. Forrar com ela uma forma de fundo amovível, bem untada.
Dissolver a fécula no leite. Reduzir o queijo a puré e batê-lo juntamente com as natas, o açucar, as gemas e a raspa do limão. Juntar a fécula dissolvida no leite.
Adicionar as claras, batidas em castelo, cuidadosamente.
Verter o creme na forma anteriormente preparada e levar a cozer, em forno médio, durante mais ou menos 45 minutos (verificar, em função do forno).
Deixar arrefecer dentro do forno, cerca de 30 minutos, e desenformar.
O bolo baixa e enruga um pouco; é mesmo assim.
Cobrir com doce de morango ou framboesa.
Pode usar-se queijo Philadelfia ou mascarpone para o confeccionar.
Contitui uma excelente sobremesa, e não é difícil de preparar.

Mãos à obra!

A receita é de Maria de Lurdes Modesto, em "Palavra Puxa Receita".

maio 06, 2006

A Cozinha Grega

Esta semana, ao ler a receita da moussaka que a Elvira publicou, veio-me à memória um livro bem divertido, de Andreas Staïkos, que li há já algum tempo atrás e que vou partilhar convosco.
O que tem a ver com a culinária grega? Tudo.
Trata-se da história de dois vizinhos, exímios cozinheiros, que, sem o saberem, nutrem uma paixão assolapada pela mesma mulher: Naná. Ela convence-os de que está perdidamente apaixonada por eles, tornando-os absolutamente dependentes dela, mesmo após descobrirem o seu jogo duplo: vivem para agradar-lhe e preparam-lhe os mais suculentos manjares.
Ora acontece que, para além de hilariante, o livro tem as receitas de todas as iguarias que os infelizes preparam para a sua amante!

Um excerto, para vos abrir o apetite:

"Dâmocles, pela primeira vez, após a horrorosa descoberta do jogo duplo que Naná fazia, estava felicíssimo, e mostrava, na prática, a sua felicidade. Com movimentos ostensivos e delicados, esvaziou o interior da courgette e do tomate, produzindo o espaço adequado para o seu recheio. Imediatamente a seguir, com uma colher de sobremesa, presenteou os buracos dos vegetais com um novo conteúdo. Esse conteúdo era constituído por uma chávena de arroz, trezentos e cinquenta gramas de carne picada, três cebolas bem picadas, quatro dentes de alho, também bem picados, três colheres de sopa de salsa picada, duas colheres de funcho picado, duas colheres de hortelã também bem picada, bem como umas colheradas, em igual número, do entusiasmo de Dâmocles..."

Aproveitem a sugestão e recheiem uns vegetais ... ;)

O Livro: As Ligações Culinárias

Bom fim de semana!

maio 05, 2006

Domingo é Dia da Mãe

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

José Régio

Beijinhos de Côco



Estes "beijinhos" são deliciosos e, melhor de tudo, muito fáceis de fazer e de belo efeito. Os escurinhos que se vêem na foto são as trufas de chocolate que a Lígia publicou há tempos no blog dela. Igualmente deliciosas...

Os beijinhos :

1 lata de leite condensado
2 pacotes pequenos de côco ralado
açucar para polvilhar
cravinhos da índia ou drageias prateadas

Deite o conteúdo de uma lata de leite condensado numa tijela grande e misture-lhe o côco aos poucos, até a consistência permitir moldar o preparado em pequenas bolinhas.
Passe por açucar, espete-lhes um cravinho ou uma drageia prateada e coloque em caixinhas de papel frisado. Guarde no frigorífico.
Ficam melhores de forem feitos de véspera e conseguir esperar para os provar.
Fácil, não é? E nem precisa de usar o fogão!...
A receita é do Mário Silva, que a publicou aqui.

maio 04, 2006

A fruta... e a publicidade

Ando muito desgostosa com a publicidade que se faz actualmente a determinados produtos que visam, sobretudo, as crianças. E com o sucesso que alcançam...
Por certo já ouviram, relativamente a uns certos iogurtes:
"-Fruta?
- Sim!!!
- Pedaços?
-Não!!!"

Não, porquê?! Para que é que os meninos querem os dentinhos, senão para fazer uso deles e trincar? Diga-se de passagem que o iogurte não é o produto mais difícil de mastigar...
Como é sabido, certas crianças têm alguma aversão pela fruta e pelos legumes; que fazer? Incentivá-los e ajudá-los a aprender a gostar, ou conservá-los na preguiça, consumindo produtos industrializados e cada vez com menor valor nutricional?
Por certo este relato já lhes fez lembrar a ultima novidade lançada no mercado...
Para quê lavar e /ou descascar uma peça de fruta e trincá-la, se se pode beber?
Pois eu digo-lhes:
Para aproveitar todos os nutrientes, as fibras, as vitaminas, e para exercitar os maxilares e dar uso aos dentes! Além do que fica certamente mais económico e mais bonito na fruteira.
Se hoje em dia nos questionamos sobre a qualidade e o valor daquilo que comemos, para quê diminui-los cada vez mais? Toda a gente sabe como são efémeras as vitaminas...
Que comparação poderá haver entre colher e comer uma maçã madura e beber um sumo (com polpa ou não) industralizado e produzido há semanas (?) atrás?
Se muito raramente temos já o prazer de colher, pelo menos trinquemos com prazer!

maio 03, 2006

Um bolo de Aniversário...


Após várias desilusões com os bolos de aniversário de compra, muito bonitos por fora mas insípidos por dentro, e após o pedido insistente de uma das minhas gémeas, resolvi ser eu a confeccionar o bolo comemorativo das dezasseis primaveras delas... Tanto mais que a confiança que depositavam em mim merecia recompensa! Qual seria, qual não seria, como boa apreciadora da doçaria portuguesa, resolvi-me pelo "Bolo Rançoso", do livro "Doçaria Tradicional do Chefe Silva". Não fujam, a despeito do nome é uma verdadeira delícia... como todos os doces conventuais portugueses. E não me venham com essas do colesterol e do excesso de açucar... Dias não são dias!

Cá vai a receita:

5o0 grs de açucar
2,5 dl de água
50 grs de manteiga
500 grs de miolo de amêndoa moído
250 grs de doce de gila, sem líquido
20 gemas e 1 clara(!)
2 colheres de sopa bem cheias de farinha
manteiga para untar
papel vegetal

Para a cobertura:
2,5 dl de água
500 grs de açucar
sumo de 1/4 limão

O bolo:
Unte com manteiga uma forma redonda grande, forre-lhe o fundo com papel vegetal e volte a untar.
Num tachinho, misture o açucar com a água, leve ao lume e deixe ferver cerca de 5 minutos. Retire do lume, junte a manteiga, mexa e deixe arrefecer.
Misture-lhe então a amêndoa moída, o doce de gila, as gemas, as claras e a farinha; Bata um pouco (não muito), deite na forma, polvilhe com um pouco de farinha para não queimar e deixe cozer em forno a 160º um pouco menos que uma hora (verificar, em função do forno).
Depois de cozido deixe arrefecer, desenforme e cubra com o açucar de cobertura. Decore com fios de ovos.

A cobertura:
Leve a ferver a água com o açucar durante 5 minutos, retire do lume, junte o sumo de limão e vá mexendo com a colher de pau, contra as paredes do tacho, até tomar cor branca translúcida. Nesta altura cubra o bolo. Se endurecer, junte-lhes umas gotas de sumo de limão e leve ao lume para aquecer. Quanto mais alto for o ponto, mais difícil será trabalhar a cobertura.

Nota: Na foto a calda dos fios de ovos levou o "birthday", mas ninguém se ralou com isso!

Bons cozinhados! :)